Artigo | Hospitais em SP desativam leitos por falta de médicos e enfermagem

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Relatório do Tribunal de Contas do Município aponta que a taxa média de ocupação de leitos em 2018 foi de 80%.

Foto: Divulgação/PMSP/Cristiane Cibele Gonçalves

09/10/2019

 

 

Defasagem de médicos passa de 2 mil e profissionais da enfermagem é superior a 2.800; concursados aguardam nomeações

 

Por Juliana Cardoso*

Administrados pela Autarquia Hospitalar Municipal (AHM), 11 hospitais da rede estão funcionando há dois anos com leitos ociosas. O motivo é a falta de profissionais médicos e da enfermagem.

Essa defasagem de profissionais da saúde se reflete no dia a dia. Usuários enfrentam longo tempo de espera para atendimento nos prontos socorros. Também há excessiva demora em conseguir uma cirurgia eletiva e virou rotina pacientes aguardarem internação em macas e cadeiras pelos corredores.

Leitos vazios

Dados colhidos do relatório do Tribunal de Consta do Município (TCM), de abril deste ano, revelam que a taxa média de ocupação de leitos foi de 80%, em 2018.

A situação é pior no Hospital Mário Degni, no Butantã, zona Oeste da capital. A unidade hospitalar tem 60% dos leitos ocupados. Isso quer dizer que os 40% restantes disponíveis estão desativados. No Hospital do Tatuapé, o quadro é ligeiramente melhor. Mesmo assim, mais de 1/4 dos leitos estão vazios à espera de pacientes.

O déficit nesses 11 hospitais é de mais de 7 mil profissionais, 2.225 delas correspondem a médicos e 2.800 relativas a  profissionais de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem). Essa defasagem poderia muito bem ser minimizada, pois existem concursos da AHM em aberto, isto é, já realizados para essas duas e até mesmo outras funções.

Para suprir o déficit

Nas audiências públicas da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, da qual sou integrante, temos, junto com entidades sindicais e movimentos sociais, cobrado com frequência da Secretaria Municipal de Saúde a nomeação dos profissionais concursados para suprir esse déficit.

Essas convocações acabariam com os desfalques de profissionais e aumentariam o número de leitos disponíveis para atender à população.

Apesar de até o momento não termos recebido manifestação oficial, vamos insistir questionando a gestão Bruno Covas. Até que imagens exibidas em reportagens na tevê, com pacientes espalhados em longarinas e macas pelos corredores de hospitais da nossa cidade, sejam cenas do passado.

* Juliana Cardoso é vereadora (PT-SP), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.

 

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2 comentários sobre “Artigo | Hospitais em SP desativam leitos por falta de médicos e enfermagem

  1. E por isso a Prefeitura junto com a Autarquia abrem as portas para as OSs….. todos os Prontos Socorros dos hospitais da Autarquia estão “ameaçados” da terceirização….desde junho vivemos esse terrorismo no HPMIPG…trabalhamos com medo de não termos nossas vagas no hospital, já que o discurso da Diretoria é: se não quiser trabalhar onde eles determinarem ( a Diretoria Administrativa, não a de Enfermagem) podemos procurar outro lugar para ir…
    Na última reunião com o Diretor, ele disse que a Diretoria de Enfermagem não manda em nada…que ELE iria determinar onde cada funcionario do PS vai atuar quando terceirizar…
    Respiramos coação….

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