Rede de Médicos Populares lança nota de apoio à greve de estudantes da UFSC

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Assembleia dos estudantes na Praça da Cidadania

Foto: Luana Pillmann/Divulgação

17/09/2019

 

 

Coletivo também critica posição de entidades médicas de Santa Catarina por afirmarem que movimento grevista “coage” estudantes contrários à paralisação.

 

 

Por Redação*

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares – Núcleo Santa Catarina lançou nota de apoio à greve dos estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Entre os 66 cursos da UFSC que já sinalizaram mobilização, alguns estão em greve e outros estão em estado de greve. A adesão dos estudantes ao movimento está centrada, principalmente, na recomposição do orçamento da UFSC, contra os contingenciamentos do Ministério da Educação para 2020, rejeição ao programa Future-se, readmissão dos trabalhadores terceirizados e revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os gastos do orçamento público com saúde e educação até 2036. “Todas pautas justas às quais nos somamos e que apoiamos”, afirma um dos trechos do documento de apoio da Rede de Médicos Populares.

De acordo com a nota de apoio aos estudantes grevistas, “as instituições de ensino superior vivem uma crise sem precedentes e o governo Bolsonaro é diretamente responsável por esses ataques”.

Na avaliação da Rede de Médicos Populares, a UFSC, uma das universidades públicas que mais se produz ciência no Brasil, tem os primeiros estudantes a mobilizarem um levante de greve em combate ao bloqueio de verbas e demais ameaças à sua sobrevivência.

No entanto, o coletivo lamenta a ação de alguns alunos e notícias falsas divulgadas sobre assembleia no dia 9 de setembro, por uma articulação contrária ao movimento grevista. “Expressamos total respeito aos estudantes que votaram contra a greve por ausência de convicção de que esse seja um método eficaz para obter os objetivos que almeja. No entanto, aquele mesmo grupo responsável por tentar desestabilizar a assembléia, não satisfeito com o empate técnico, iniciou uma ampla divulgação, articulada com entidades médicas e veículos de imprensa, de fatos distorcidos e algumas inverdades”.

Segundo o Núcleo Santa Catarina, a maior parte dos alunos do curso de Medicina votou a favor da greve e “em nenhum momento, houve constrangimento de alunos com posicionamento contrário à greve”.

Os médicos populares também lamentam, por meio da nota, que “o Sindicato dos Médicos de Santa Catarina, o Conselho Regional de Medicina e a Associação Catarinense de Medicina se posicionem publicamente no sentido de afirmar que estudantes são coagidos a aderir à greve, após ouvir um número seleto de alunos e sem consultar a instituição representativa máxima dos estudantes que é o Centro Acadêmico Livre de Medicina”.

Desta forma, o coletivo de Médicos e Médicas populares indica “preocupação” com as motivações e a divulgação distorcidas dos fatos. A Universidade pública e gratuita é o único meio através do qual os jovens pobres e da periferia acessam o ensino superior. Tão fundamental quanto a existência da própria universidade, é a existência de políticas que garantam a permanência dos mais desfavorecidos economicamente no ambiente universitário. A manutenção do funcionamento pleno do RU e das bolsas é fundamental para que muitos estudantes tenham meios de concluir a faculdade”, destaca outro trecho do documento.

Os médicos populares justificam a opção pelo “lado da defesa dos valores democráticos, do respeito ao debate e a livre expressão e da construção de uma sociedade que garanta os meios para uma vida digna a toda população brasileira”.

Leia a íntegra da nota da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares – Núcleo Santa Catarina

 

Edição: Cecília Figueiredo

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