Médicos Populares prometem resistência ao despejo do Centro de Formação Paulo Freire (PE)

Facebooktwitter

Formandos do curso de Promoção e Vigilância em Saúde Ambiental e Trabalho, promovido pela Rede de Médicos Populares em parceria com a EPJV/Fiocruz, no Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru

Foto: Divulgação

9/09/2019

 

 

 

 

Movimento denuncia que pedido do Incra demonstra Estado autoritário contra a educação e os movimentos populares.

 

 

Por Redação*

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares emitiu nota de apoio aos trabalhadores do Centro de Formação e Capacitação Paulo Freire em Caruaru (PE) que estão sendo despejados do assentamento Normandia, na zona rural de Caruaru (PE), por determinação do juiz federal Tiago Antunes de Aguiar, da 24ª Vara Federal, em Caruaru.

Palco de várias formações, como a realizada recentemente pela Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Aggeu Magalhães, onde mais de 30 pessoas dos estados de Pernambuco e Paraíba concluíram sua pós-graduação em Saúde Coletiva, a área do Centro de Formação e Capacitação Paulo Freire em Caruaru (PE), está em risco de acabar por um pedido de reintegração de posse do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Origem

A antiga Fazenda Normandia foi ocupada em 1º de maio de 1993, com cinco remoções e reocupações até 1997. Tornou-se assentamento em 1998. Uma área comunitária de 15 hectares foi cedida pelos assentados em benefício coletivo: capacitação, formação e estímulo à produção dos assentados. Na época, o processo foi feito em acordo com o Incra, segundo nota publicada no site do MST.

Sob a gestão da Associação Comunitária do Centro de Capacitação Paulo Freire (ACCPF), e parceria com o governo de Pernambuco, foram construídos uma academia das cidades, quadra poliesportiva, creche pública, um centro de beneficiamento de alimentos e três agroindústrias da cooperativa agropecuária de Normandia. Também foi construído o Centro de Formação Paulo Freire, que durante 20 anos tem sido usado para capacitação de assentados da reforma agrária em Normandia e em todo o estado, além de receber as universidades federal, estadual e rural de Pernambuco, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e órgãos do estado.

Denúncia

Para a Rede de Médicas e Médicos Populares, o centro de formação é “fruto da luta de trabalhadores e trabalhadoras do campo pelo direito à terra”, e tem sido um “laboratório” com os participantes de atividades que o centro promove, “proporcionando um intercâmbio de experiências de cuidado em saúde”.

De acordo com o coletivo, esta é a “postura do Estado autoritário contra a educação e os movimentos populares, que agora aponta suas garras contra o estudo do povo brasileiro”. Uma ação, segundo o documento, “em conluio com o judiciário”.

Os médicos populares afirmam, no documento, a solidariedade aos trabalhadores do Centro de Formação e Capacitação Paulo Freire, assentados de Normandia e ao Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e o apoio da Rede de Médicos Populares na “luta contra o despejo, pela reafirmação da reforma agrária, da educação e da democracia”.

Confira a íntegra do documento:

 

Rede de Médicas e Médicos Populares contra o despejo do Centro de Formação e Capacitação Paulo Freire de Caruaru (PE)

Nós, médicos e médicas populares, em nossa reunião anual no Rio de Janeiro, nos dias 7 e 8 de setembro de 2019, denunciamos por meio desta nota os ataques realizados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ao Centro de Formação e Capacitação Paulo Freire, em Caruaru (PE).

Recebemos com indignação que, no dia 5 de setembro, o juiz da 24ª Vara Federal Thiago Antunes de Aguiar emitiu uma ordem de despejo contra um espaço ao qual tem sido palco de diversos processos formativos e onde recentemente concluímos nossa pós-graduação em Saúde Coletiva, em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Aggeu Magalhães, onde mais de 30 pessoas dos estados de Pernambuco e Paraíba participaram.

Além disso, o centro já acolheu médicos e médicas populares de todo o Brasil em sua 4ª plenária nacional em 2017, onde estivemos dois dias nos debruçando e pensando os problemas da saúde no nosso país. Seu espaço da saúde tem sido um bonito laboratório, onde nos somamos a realizar cuidado em saúde nos participantes de diversas atividades que o centro promove, proporcionando um intercâmbio de experiências de cuidado em saúde.

Localizado no Assentamento Normandia em Caruaru, fruto da luta de trabalhadores e trabalhadoras do campo pelo direito à terra, esse ataque demonstra que esse governo, em conluio com o poder judiciário, deseja criminalizar aqueles e aquelas que lutam pelo seus direitos e agora lutam para que eles não sejam retirados. Esse abuso de autoridade somente pode acontecer em momentos onde nossa democracia encontra-se seriamente atacada por um governo marcado pela corrupção, nepotismo e desrespeito a soberania nacional.

Denunciamos a postura do Estado autoritário contra a educação e os movimentos populares, que agora aponta suas garras contra o estudo do povo brasileiro. Nos solidarizamos com os trabalhadores e trabalhadoras do Centro de Formação e Capacitação Paulo Freire, com os assentados e assentadas de Normandia e o Movimento de
Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra e nos somamos à luta contra o despejo, pela reafirmação da reforma agrária, da educação e da democracia.

RESISTIREMOS AO DESPEJO
Não vai ter despejo! Vai ter Luta

Rio de Janeiro, 08 de Setembro 2019.

Facebooktwitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

São bem-vindas declarações que se proponham ao diálogo, defendam posições, que exponham ideias, dúvidas, sugestões e críticas. Não serão aceitos comentários sexistas, xenófobas, racistas, homofóbicas ou que contrariem princípios dos direitos humanos. A moderação também irá filtrar a comentários que incorram em crimes de ódio, incitação à violência e calúnia. Textos com propaganda comercial serão excluídos.