Coluna | Legado do governo Bolsonaro são vidas e meio ambiente destruídos, diz ex-ministro da Saúde

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Saúde é o maior problema no governo Bolsonaro, segundo pesquisa Datafolha, divulgada às vésperas da celebração de 29 anos da lei que criou o SUS. 

Foto: Reprodução Agência Brasil 

7/09/2019

 

 

 

Reprovação ao governo na saúde é resultado de cortes de recursos e ataques a políticas públicas, avalia Alexandre Padilha.

 

 

Por Alexandre Padilha*

Essa semana não seria possível deixar de comentar o fato da pesquisa de opinião pública apontar a saúde como o pior problema do Brasil. Isso é inesperado e até inédito, principalmente quando se vive um momento em que o desemprego atinge mais de 12 milhões de brasileiros e brasileiras, sem contar aquelas pessoas que já desistiram de procurar emprego.

As vezes em que a saúde aparecia como o principal problema, o Brasil vivia a situação de pleno emprego. Todas as vezes em que o desemprego era alto, havia recessão econômica, a saúde não era o principal problema apontado.

Acredito que isso é produto da ausência de políticas do governo Bolsonaro. É governo da morte. É o governo do armamento, que estimula a violência, do estímulo a acidentes de trânsito, ao desrespeito às pessoas, aos ataques ambientais. O legado do governo Bolsonaro, legado irrecuperável, são vidas e meio ambiente destruídos.

O governo Bolsonaro também incentiva atividades econômicas que atacam a saúde, seja por meio da liberação de agrotóxicos no campo, seja por flexibilizar a legislação trabalhista, os direitos dos trabalhadores. Isso tudo impacta fortemente na saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, na vida das pessoas.

Há também uma ausência de políticas na área da saúde. O que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez nesses nove meses de governo foi cortar recursos e políticas. É o governo do “menos médicos”, “menos remédios” com o corte do Programa Farmácia Popular e a destruição da assistência farmacêutica, numa sinalização clara de não ter nenhum interesse em ampliar os serviços de saúde e fortalecer o SUS.

Esse é um governo que ataca fortemente a saúde num momento em que o Brasil caminha na próxima semana para celebrar um marco histórico, da construção da Lei Orgânica do SUS aprovada em 1990, que consolidou a ideia do Brasil ter um sistema universal de saúde.

* Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

Edição: Cecília Figueiredo

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