Coluna | “Bolsonaro despreza a vida”, afirma ex-ministro referindo-se a cortes de R$ 500 milhões em vacinas

Facebooktwitter

Foto: Reprodução/PMPA

13/09/2019

 

 

 

Proposta encaminhada pelo presidente Bolsonaro ao Congresso diminui em R$ 30 bilhões o orçamento da saúde para o ano que vem.

 

 

 

Por Alexandre Padilha*

É assustador, é uma irresponsabilidade sem tamanho a proposta de orçamento encaminhada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao Congresso Nacional. Em relação a vários itens, o que mais me assusta é em relação à saúde.

A proposta do presidente de orçamento para a saúde é de apenas 1,5% a mais do que o de 2018, ou seja um reajuste menor que a inflação. Isso mostra claramente o impacto do teto de gastos – congelamento de 20 anos – nos recursos da saúde.

Ao somarmos o orçamento de 2018, 2019 e, agora pela proposta de Bolsonaro, 2020, já são R$ 30 bilhões a menos para a área da saúde, comparada às regras anteriores à Emenda Constitucional 95.

Mais grave que isso é que dentro desse orçamento da saúde, com reajuste pífio, quase do tamanho do “pibinho” (Produto Interno Bruto) nesse governo, Bolsonaro faz escolhas quase criminosas. Talvez a mais grave seja a redução de quase meio bilhão de reais dos recursos destinados ao Programa Nacional de Imunização (PNI).

Numa situação de reemergência de sarampo, aumento de demanda de vacinas tríplice que protege da doença, interrupção da vacina pentavalente, maquinário das unidades de saúde, freezers, geladeiras [para o armazenamento de vacinas] em processo de decomposição, Bolsonaro ao invés de ampliar os recursos do Programa de Imunização reduz em cerca de 500 milhões de reais.

O que reforça mais uma vez que Bolsonaro é um presidente que despreza a vida.

 

* Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ex-ministro da Saúde (Governo Dilma) e ex-secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

 

Facebooktwitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

São bem-vindas declarações que se proponham ao diálogo, defendam posições, que exponham ideias, dúvidas, sugestões e críticas. Não serão aceitos comentários sexistas, xenófobas, racistas, homofóbicas ou que contrariem princípios dos direitos humanos. A moderação também irá filtrar a comentários que incorram em crimes de ódio, incitação à violência e calúnia. Textos com propaganda comercial serão excluídos.