Aumento de 600% de casos de dengue em um ano reflete redução de recursos do SUS

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Falta de saneamento favorece explosão das arboviroses.

Foto: Gercom CS

13/09/2019

 

 

Brasil registra 690,4 casos a cada 100 mil habitantes; Minas registrou o maior número de casos e São Paulo onde a doença mais cresceu em um ano

 

Por Redação*

Em um ano, o número de casos de dengue no Brasil aumentou 600%. De acordo com o balanço do Ministério da Saúde, entre 30 de dezembro e 24 de agosto, foram registrados 1.439.471 casos de dengue em todo o país. A média é 6.074 casos por dia e representa um aumento de 599,5%, na comparação com 2018. No ano passado, foram 205.791 notificações.

O estado com mais registros é Minas Gerais, com um total de 471.165. Em 2018, antes do crime ambiental de Brumadinho, os municípios mineiros registravam 23.290 casos.

Na segunda posição, vem São Paulo (437.047), o estado brasileiro onde a incidência da dengue mais cresceu – 3.712% -, no período analisado. No ano passado, foram registrados 11.465 casos.

Atualmente, a taxa de incidência da dengue no país é 690,4 casos a cada 100 mil habitantes. No total, 591 pacientes com a doença morreram, neste ano, em decorrência de complicações do quadro de saúde.

Em entrevista à Rádio Brasil Fato, o médico sanitarista Thiago Henrique Silva afirmou que a explosão de casos de dengue, além do maior volume de chuvas e altas temperaturas, é causado pela redução de investimentos orçamentários na Atenção Primária à Saúde.

“A gente não tinha um pico de incidência de casos de dengue tão alto há muitos anos. Quando a gente olha para o contexto geral de como essas doenças têm aumentado, é fundamental a gente lembrar que o controle de endemias é feito pelo SUS, pelos agentes de saúde ambiental que estão integrados à Atenção Primária no Brasil inteiro e a gente tem uma redução no Brasil inteiro da capacidade de trabalho [ vigilância] e número destes profissionais, com o desmonte que vem ocorrendo nos últimos três anos”, afirma o médico sanitarista Thiago Henrique Silva.

Segundo ele, a falta do agente de saúde ambiental, que realiza ações como o casa a casa – de controle de focos de dengue -, é um dos motores para que a população fique mais vulnerável às arbovirores, dengue, febre chikungunya e zika.

Chikungunya e zika

O levantamento do ministério também reúne informações sobre a febre chikungunya. Ao todo, os estados já contabilizavam, até o final de agosto deste ano, 110.627 casos, contra 76.742 do mesmo período em 2018.

Segundo a pasta, o índice de prevalência da infecção, que também tem como transmissor o mosquito Aedes aegypti, é bastante inferior ao da dengue: 53,1 casos a cada 100 mil habitantes. Como estados com alta concentração da doença destacam-se o Rio de Janeiro (76.776) e o Rio Grande do Norte (8.899).

Até o encerramento do balanço, haviam sido confirmadas laboratorialmente 57 mortes provocadas pela chikungunya. Em âmbito nacional, a variação de um ano para o outro foi 44,2%, sendo que na região Norte do país o recuo foi 32% e no Centro-Oeste, de 92,7%.

O boletim epidemiológico acompanha também a situação do zika. Nesse caso, somente o Centro-Oeste apresentou queda nas transmissões (-35,4%).

De 2018 para 2019, o total de casos de zika saltou de 6.669 para 9.813, gerando uma diferença de 47,1% e alterando a taxa de incidência de 3,2 para 4,7 ocorrências a cada 100 mil habitantes. Neste ano, o zika vírus foi a causa da morte de duas pessoas.

Sintomas

Os principais sintomas, segundo Silva, são dor de cabeça forte, febre (que pode ser alta), dor no corpo, nas articulações, dor atrás dos olhos e, a partir do terceiro dia, quando some a febre aparecem manchas vermelhas pelo corpo.

Quem apresentar esses sinais não deve se automedicar, mas buscar um serviço de saúde, como postos (UBS), Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e Pronto Socorro (PS). No entanto, Silva, que é chefe de um atendimento de emergência em São Bernardo do Campo, lembra que os serviços estão sobrecarregados, devido à queda de investimentos, encerramento de programas como o Mais Médicos.

“Depois que acabou, que foi destruído o Mais Médicos pelo governo Bolsonaro, várias unidades de Saúde da Família no Brasil estão sem profissionais. Nos 30% de unidades que estão sem médicos no país, acaba superlotando as unidades que têm médicos, e não só, temos UPAs que estão com escalas de médicos desfalcadas, porque a gente tem um esgotamento do financiamento do SUS diante das necessidades da população. O que acaba acontecendo, com várias unidades básicas de saúde e UPAs sem médicos, a população acaba procurando ontem tem médico”.

Orientações

O ministério aconselha que, durante o período de seca, a população mantenha ações de prevenção, como verificar se existe algum tipo de depósito de água no quintal ou dentro de casa. Outra recomendação é lavar semanalmente, com água e sabão, recipientes como vasilhas de água do animal de estimação e vasos de plantas.

Não deixar que se formem pilhas de lixo ou entulho em locais abertos, como quintais, praças e terrenos baldios é outro ponto importante. Outro hábito que pode fazer diferença é a limpeza regular das calhas, com a devida remoção de folhas que podem se acumular durante o inverno.

* Com informações da Agência Brasil e Brasil de Fato

Edição: Cecília Figueiredo

 

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