Ebola não é mais uma doença sem cura, anunciam cientistas

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Vírus do ebola é altamente infeccioso e pode matar mais de 90% das pessoas que o contraem, causando pânico nas populações infectadas.

Foto: Augustin Wamenya/AFP

13/08/2019

 

 

Chance de sobreviver com novos tratamentos é de 90%; República Democrática do Congo vive surto da doença

 

 

Por Thiago Angelo, para Saúde Popular

Em meio ao surto de ebola que atinge países da África, cientistas da República Democrática do Congo anunciaram na última segunda-feira (12) novos tratamentos, oferecem até 90% de sobrevivência. Os cientistas esperam que a inclusão dos novos fármacos signifique o fim da epidemia da doença no país.

Os resultados foram obtidos após uma série de testes clínicos iniciados em novembro de 2018 na região leste da República Democrática do Congo.

Agindo junto com os anticorpos dos pacientes, os remédios, batizados de REGN-EB3 e mAb114, conseguiram atacar o vírus, neutralizando o poder de infecção em células humanas.

Os pacientes que foram submetidos aos medicamentos, imediatamente após ficarem doentes, tiveram resultados ainda melhores: a taxa de mortalidade com o REGN-EB3 foi de apenas 6%. Para os que foram medicados com o mAb114, a taxa é de 11%.

“De agora em diante, nós não vamos mais dizer que o ebola não tem cura”, afirmou Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédicas. Segundo ele, os avanços “ajudarão a salvar milhares de vidas”.

Teste em 700 pacientes

O teste clínico avaliou a eficácia dos fármacos em 700 pacientes. Os resultados foram tão satisfatórios que um comitê de monitoramento de dados recomendou que outros dois tratamentos em desenvolvimento, o ZMapp e o remdesivir, fossem interrompidos.
No entanto, ainda existem obstáculos. Segundo os médicos, muitos dos infectados deixam de buscar tratamento por desconfiarem de sua eficácia. Mas os profissionais esperam reverter esse quadro.

“Agora que 90% de seus pacientes podem ir ao centro de tratamento e saírem completamente curados, eles vão começar a acreditar e construir confiança na população e na comunidade”, afirmou Muyembe ao jornal britânico The Guardian.

A República Democrática do Congo vive um surto da doença desde agosto de 2018, quando mais de 1.600 pessoas morreram. Os números fizeram com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarasse estado de emergência na região.

Segundo a organização, esse é o maior surto desde o que ocorreu entre 2014 e 2016, quando foram registradas mais de 11.310  mortes em Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Edição: Cecília Figueiredo

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