Artigo | População mobilizada pela construção da UPA Sapopemba

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Abraço simbólico a terreno no Jardim Adultora, zona Leste, onde será construída a UPA Sapopemba relembrou antigas carências de serviços públicos do distrito.

Foto: Mandato Juliana Cardoso

7/08/2019

Região onde vivem 300 mil habitantes tem atendimento de urgência mais próximo a 10 quilômetros de distância.

 

 

Por Juliana Cardoso*

Conselheiros gestores, alunos do Instituto Daniel Comboni, representantes do Movimento de Saúde da Zona Leste e moradores do bairro Sapopemba realizaram na semana passada um abraço simbólico no terreno do bairro Jardim Adutora, onde deverá ser construída a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

A manifestação, realizada na sexta-feira (2), além marcar a luta, serviu para relembrar antigas reivindicações e carências de serviços públicos do distrito do Sapopemba. Apesar de contar com uma cobertura razoável na atenção básica da saúde, a região cravada na periferia da zona Leste, onde vivem 300 mil habitantes, não dispõe de serviço de urgência/emergência.

Urgência distante

Em caso de necessidade de atendimento de urgência, principalmente durante a noite e madrugada, moradores têm que se deslocar até o Pronto Socorro do Hospital Estadual de Vila Alpina, em média 10 quilômetros distante, ou para o Hospital Municipal do Tatuapé, que pode chegar até 15 quilômetros. Embora, a região possua o Hospital Estadual do Sapopemba, há mais de dez anos o seu Pronto Socorro atende de portas fechadas, isto é, pacientes são recebidos somente em ambulância, encaminhados de outros serviços de saúde.

Embora seja uma bandeira histórica da região, a UPA Sapopemba não constava inicialmente no plano de obras da Prefeitura. No entanto, após intensa mobilização, abaixo-assinado e reivindicações em plenárias de saúde, o governo municipal foi convencido a incluir essa obra. E não havia razão técnica para protelar. Afinal, esse é um dos muitos vazios assistenciais de emergência existentes na cidade. E estamos falando de um distrito que em termos de adensamento populacional é equivalente a uma cidade de porte médio como Vitória, por exemplo.

Origem do serviço e recurso

Hoje, a obra da UPA Sapopemba está incluída no Projeto Avança Saúde da Prefeitura. Com recursos de U$ 100 milhões obtidos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), deverão ser concluídas todas as unidades de Pronto Atendimento iniciadas na gestão do prefeito Fernando Haddad, além da construção de novas unidades de saúde, inclusive reformas de algumas já existentes.

Cale lembrar que o financiamento do BID é fruto de acordo da gestão Haddad que tirou a restrição da cidade de São Paulo para obter empréstimos.

A proposta de Unidade de Pronto Atendimento, concebida em 2003, no governo Lula, e incrementada na gestão da presidenta Dilma Rousseff, para desafogar a demanda nos prontos socorros, inúmeros municípios brasileiros foram contemplados com o modelo de serviço que integra a Rede de Atenção às Urgências.

Elas funcionam 24h, sete dias da semana, possuem leitos de observação e contam com estrutura para realizar diversos exames. Conforme avaliação da equipe médica, o paciente pode ser encaminhado a um hospital quando necessário.

A mobilização pela UPA Sapopemba nos remete à história de luta de tantos outros equipamentos públicos na periferia da nossa cidade. Os avanços só acontecem após mobilização popular. Foi assim no passado e se faz necessário cada vez mais no presente. Sobretudo nestes tempos de autoritarismo e congelamento de verbas pela Emenda Constitucional 95 até o ano de 2036, que ameaçam a sobrevivência do Sistema Único de Saúde (SUS).

* Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude e membro das comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.

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