Santas Casas ganham mais uma bilionária linha de crédito

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Após liberar, em junho, às filantrópicas acesso a crédito de R$ 1 bi pelo BNDES, a Caixa Econômica Federal anunciou na terça-feira (2) uma nova linha no valor de R$ 3,5 bilhões.

Foto: Edson Lopes Jr/Fotos Públicas

3/07/2019

 

 

Às Santas Casas, R$ 4,5 bi, e aos hospitais universitários federais, modestos R$ 80 milhões.

 

 

 

Por Outra Saúde

Em junho, o governo lançou uma linha de crédito de R$ 1 bilhão no BNDES para entidades filantrópicas que atuam no SUS. Na terça-feira (2), mais recursos públicos foram disponibilizados para as Santas Casas, desta vez na Caixa Econômica Federal. O banco público anunciou uma nova linha de crédito no valor de R$ 3,5 bilhões. Esse dinheiro vem do FGTS, por meio do programa chamado FGTS Saúde. Além disso, a Caixa anunciou a redução nos juros cobrados para financiar a renegociação de dívidas bancárias das filantrópicas, com prazo de pagamento de 120 meses. Já o dinheiro tomado na linha de crédito pode ser pago em até cinco anos.

Apesar de em pouco menos de um mês terem diante de si as chaves do cofre para acessar R$ 4,5 bi, as entidades filantrópicas acham pouco. De acordo com o presidente da Confederação das Santas Casas, Edson Rogatti, a nova linha de crédito é um “paliativo” diante de uma dívida calculada em R$ 21 bi. “O financiamento é barato, mas não vai resolver o problema. O que precisamos é de recursos de custeio para que possamos ter equilíbrio financeiro”, relatou a FolhaA declaração demonstra que o setor vai continuar firme no lobby por recursos públicos.

Durante o lançamento da nova linha de crédito, no Congresso Nacional, o ministro Luiz Henrique Mandetta concordou que a medida “não é o melhor dos mundos”, mas garante “fôlego” até que um orçamento “mais realista” seja garantido. E reafirmou a preocupante intenção de rever a distribuição de recursos entre hospitais públicos e filantrópicos.

Mandetta também abriu uma nova frente de batalha, e defendeu pela primeira vez a ampliação de recursos por meio de negociação com o Congresso. Segundo o Estadão, ele não anunciou um número (nem um método), apenas disse que vai tentar. “Se a gente disser quanto pode despertar olho gordo”, respondeu.

Outro ponto meio indefinido é um contrato firmado pelo Ministério da Saúde com uma tal Fundação Dom Cabral para descobrir as falhas no setor filantrópico contratado pelo SUS. Não há um prazo para o estudo seja concluído (nem qualquer notícia nos sites da Pasta e da Fundação sobre a parceria). Ao que tudo indica, o ministro não compra integralmente a versão do setor de que as falhas se devem unicamente à falta de dinheiro. “Será que foi falta de reajuste nos contratos?”, lançou. Questionado sobre falhas de gestão das Santas Casas, ele afirmou que o sistema atual é “assimétrico”: “Não podemos generalizar que são todas mal geridas, nem que todas são um primor de gestão”. E remeteu, novamente ao Congresso, a responsabilidade por mudanças: disse que os parlamentares podem aprovar novos parâmetros de gestão para esses hospitais.

Em comparação

Os hospitais universitários federais receberam do governo a modesta quantia de R$ 79,5 milhões. O equivalente a 1,77% dos recursos disponibilizados para os filantrópicos por meio das duas linhas de crédito.

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