Repórter SUS | Fumacê e larvicida são insuficientes para controlar dengue

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Metodologia de controle da doença está superada devido à complexidade dos centros urbanos, alerta infectologista.

Foto: Alexandre Carvalho / Gov. SP/ Fotos Públicas

8/07/2019

 

 

Notificações cresceram sete vezes em relação a 2018; enfrentar epidemia exige investimentos em infraestrutura urbana.

 

 

Por Ana Paula Evangelista, para Brasil de Fato (RJ)

Somente este ano foram notificados 1,3 milhão casos suspeitos de dengue. É sete vezes mais do que o registrado entre dezembro de 2017 e junho de 2018, quando foram registradas 180 mil notificações. Com relação às mortes, o aumento também assusta: 414 mortes nos primeiros seis meses de 2019. No período anterior comparativo, foram 129 mortes, número 30% menor.

Embora o mosquito Aedes aegypti, vetor da transmissão da doença, se prolifere em qualquer recipiente que acumule água, e o período de chuvas associado a temperaturas elevadas contribuam para elevação de casos, especialistas apontam outros fatores. Saneamento básico, coleta de lixo, abastecimento de água precário e a impossibilidade do acesso de agentes de endemias em alguns territórios pela violência, são mencionados pelo infectologista Rivaldo Venâncio, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

No Repórter SUS, programa produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), o infectologista alerta que a epidemia de dengue é uma tendência para as próximas décadas, “a não ser que sejam alteradas as formas de prevenção”.

“O larvicida, o casa a casa [vistoria de agentes de endemias nos domicílios] em objetos que acumulam água, por vezes aquele fumacê – que serve mais como efeito psicológico -; essa metodologia teve efeito há 100 anos, 110 anos atrás, na época do Oswaldo Cruz [médico sanitarista], hoje está superada devido à complexidade dos centros urbanos”, esclarece Venâncio.

Segundo ele é necessário uma nova tecnologia para os novos desafios urbanos. “Precisamos também encarar de vez os graves problemas de infraestrutura urbana [moradia, saneamento, abastecimento] que convivemos há séculos”, conclui.

Confira trechos dessa conversa:

Edição: Cecília Figueiredo

 

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