Único Centro de Referência e Defesa da Diversidade ameaçado de extinção pela gestão Covas

Facebooktwitter

Foto: Reprodução Internet

28/06/2019

 

 

Fechamento do serviço, que atende cerca de 1.200 pessoas, é resultado do corte de gastos na assistência social.

 

 

 

Por Redação*

No dia em que se celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex) – data que relembra quando pessoas gays, lésbicas e trans reagiram às frequentes batidas policiais que eram realizadas no bar Stonewall Inn, em Nova York, em 1969 – a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB)  fechará o Centro de Referência da Diversidade (CRD), serviço que atende cerca de 1.200 pessoas da cidade de São Paulo.

O comunicado, feito pelo secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social Marcelo Del Bosco, ocorreu no último dia 19. A justificativa da pasta é que a Secretaria Municipal de Direitos Humanos realiza o mesmo serviço.

Fundado em 2008, o CRD é gerido pela ONG Grupo Pela Vidda SP e faz parte de um conjunto de políticas públicas voltadas à população LGBT. No entanto, a presidente do Grupo Pela Vidda Leila Stungis, afirma que as propostas são diferentes, além da alta demanda não suportada pelo Centro de Cidadania LGBT, serviço da pasta de Direitos Humanos.

“Eles lidam com um público completamente diferente. Não lidam com a população em situação de rua, por exemplo. Lidam, em sua maioria, com mulheres travestis e transexuais, que têm minimamente uma organização da vida para que possam voltar a estudar e trabalhar. A gente atende pessoas em situação de rua. Fazemos sensibilizações nas empresas privadas que buscam qualificar profissionais para acolhimento LGBT. Na rede pública também: ensino, saúde, segurança. Trabalhamos tanto com o público que sofre essa violência com o público que pode praticar a violência”, explicou Leila Stungis.

O gerente do CRD, Eduardo Barbosa, conta que soube da possibilidade de fechamento através de uma nota publicada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. A partir de segunda-feira (1º), o serviço não tem mais recursos para manter as atividades. Os 15 funcionários estão de aviso-prévio, e também não há como manter os compromissos de atendimento para a população. Mensalmente, 580 pessoas são acolhidas e cerca de 2 mil atendimentos são realizados.

Eduardo esclarece, também, que foi feito um contrato emergencial para renovação da parceria com a prefeitura em cinco anos, e que o documento já foi assinado pelo CRD, mas o compromisso ainda não ainda foi firmado por parte do município. “Isso é uma perda enorme, dentro da Secretaria temos um serviço tipificado, ou seja, não há nenhuma garantia da continuidade desse serviço. Além disso, dessa maneira, ele se torna um serviço de governo, de quem estiver no poder.”

Acolhimento e autonomia

O CRD é um espaço de desenvolvimento social que visa oferecer acolhida, escuta especializada e atendimento, prioritário, a travestis e transexuais, profissionais do sexo, pessoas vivendo com HIV, gays e lésbicas que estejam em situação de vulnerabilidade e risco social.

São oferecidas no equipamento oficinas de geração de renda e ações que possibilitem a inclusão social, como forma de auxiliar no empoderamento, autonomia e a cidadania da população assistida.

De acordo com a deputada Erika Hilton, da Bancada Ativista do PSOL-SP, o fechamento do Centro de Referência da Diversidade, único que presta esse tipo de serviço na assistência social, é parte de um processo de gentrificação dessa população. “Temos um serviço muito pequeno, diante do número imenso de pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirmou.

Cortes e desmontes

A ameaça de fechamento do Centro de Referência da Diversidade é consequência do corte de gastos na assistência social, determinado por Covas por meio do decreto 58.636, de 21 de fevereiro. A norma determina a renegociação de contratos, autorizando cortes e redução no serviço – estimados em R$ 240 milhões, ou 15% do valor total. Atualmente, a cidade tem 1.265 serviços de assistência, com cerca de 220 mil vagas para crianças, adolescentes, mulheres e idosos, administrados por organizações sociais.

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou, por meio de nota, que não haverá prejuízo no atendimento e para as pessoas assistidas pelo CRD. Estão sendo realizadas tratativas para a realocação do CRD para a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), buscando zelar pela continuidade do acesso de todos os atendidos aos serviços públicos necessários.

* Com informações da Agência Aids

Facebooktwitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

São bem-vindas declarações que se proponham ao diálogo, defendam posições, que exponham ideias, dúvidas, sugestões e críticas. Não serão aceitos comentários sexistas, xenófobas, racistas, homofóbicas ou que contrariem princípios dos direitos humanos. A moderação também irá filtrar a comentários que incorram em crimes de ódio, incitação à violência e calúnia. Textos com propaganda comercial serão excluídos.