Congresso debate a medicação errada como decorrência da crise dos sistemas de saúde

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Os erros de medicação causam pelo menos uma morte todos os dias e prejudicam aproximadamente 1,3 milhão de pessoas anualmente apenas nos Estados Unidos. 

Foto: ANS

4/06/2019

 

Evento no Rio, que deve reunir mais de mil participantes e convidados de quatro países, será a 1ª edição para debater a segurança do paciente

 

 

Por Redação*

Medicação errada causa a morte de uma pessoa diariamente e danos a cerca de 1,3 milhão de pessoas por ano nos Estados Unidos. Embora se considere que os países de baixa e média renda tenham taxas semelhantes de eventos adversos relacionados à medicação em relação aos países de alta renda, o impacto é aproximadamente o dobro em termos do número de anos de vida saudável perdidos. Os dados fazem parte de levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2017.

Estudos realizados no Brasil estimam a taxa de ocorrência de eventos adversos em 7,6%, considerando todas as internações hospitalares em um ano. O levantamento alerta para a necessidade da implementação de medidas preventivas aos chamados eventos adversos, ou seja, os danos desnecessários decorrentes do cuidado prestado aos pacientes.

Diante desse risco a que o paciente está exposto na assistência médica, a OMS criou a Aliança Mundial pela Segurança do Paciente (2004), com o objetivo de propor medidas e campanhas de âmbito internacional para reduzir os riscos e diminuir os chamados eventos adversos. “Cirurgias Seguras Salvam Vidas” e a “Higienização das Mãos na Assistência à Saúde” são algumas dessas campanhas.

Em 2013, o Brasil criou o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) para contribuir na qualificação do cuidado em saúde no território nacional, seguindo as orientações da OMS e o exemplo de diversos países, como os Estados Unidos, Canadá, Espanha, Austrália e Portugal.

Avançar no cuidado

Seis anos depois da criação do PNSP ocorre o 1° Congresso Brasileiro para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente no Rio de Janeiro. O evento, promovido pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp), deve reunir mais de mil participantes, entre profissionais dos 26 estados e do Distrito Federal, entre quarta (5) e sexta-feira (7) no Hotel Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca.

De acordo com Victor Grabois, presidente da Sobrasp, o tema não se esgota nos serviços de saúde, estando presente em esferas como a mídia, no ensino superior e técnico, e no Judiciário, que precisam também considerar seu papel na prevenção de eventos adversos no cuidado de saúde.

A expectativa de Grabois é que as discussões propostas no encontro gerem avanços sobre o entendimento de que a presença de eventos adversos, em sua maioria vinculados a “erros”, deve ser interpretada como decorrente, em sua grande maioria, de falências nos sistemas relacionados à atenção à saúde e não, principalmente, como resultado de ações isoladas praticadas por profissionais incompetentes.

“O Congresso vai discutir como acelerar a melhoria da Segurança do Paciente, como tornar os gestores, profissionais de saúde e a população mais conscientes dos riscos existentes nos serviços de saúde e como reduzi-los. Além disso, vamos discutir como evoluir de uma cultura punitiva frente ao erro no cuidado de saúde para uma cultura de aprendizagem”, explica.

Além de especialistas brasileiros, o congresso conta com a participação de cinco convidados internacionais que irão apresentar suas pesquisas científicas e experiências de seus países com a segurança do paciente. Entre os nomes estão G. Ross Baker da Universidade de Toronto, no Canadá, e Sara J. Singer da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Serviço:

1° Congresso Brasileiro para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente

Local: Hotel Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca (RJ)

Data: 5 a 7 de junho

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