Trabalhadores de SP protestam contra desmonte do SUS e da Previdência

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Movimento cobrou condições de trabalho e atendimento, além de reposição salarial e revogação da Emenda Constitucional 95.

Foto: Jordana Mercado

24/05/2019

 

 

 

Ato na avenida Paulista também cobrou governador Doria (PSDB) uma resposta à pauta da categoria entregue em abril.

 

Por Cecília Figueiredo, do Saúde Popular

Centenas de trabalhadores e trabalhadoras da saúde protestaram nesta sexta-feira (24) na avenida Paulista, em São Paulo (SP), contra a reforma da Previdência e o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS). “Isso foi um esquenta para as próximas manifestações [30 de maio e 14 de junho]. Tem que fazer uma greve geral porque não tem como continuar esse descaso que está o Brasil”, afirmou Cleonice Ribeiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP).

O movimento, que reuniu servidores de diversas cidades do interior e da Grande São Paulo, partiu da Praça do Ciclista até o vão livre do MASP, em protesto contra as condições precárias da saúde pública no estado de São Paulo.

Durante o trajeto, os manifestantes entregaram uma carta aberta à população, onde explicam o “Caos na Saúde do Estado de São Paulo”. O ato também serviu para cobrar uma manifestação do governador João Doria (PSDB) que, segundo o SindSaúde, segue há um mês em silêncio com relação à pauta salarial 2019, entregue em 22 de abril.

Uma das reivindicações é por novos concursos. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Secretaria de Estado da Saúde (SES) reduziu 2,4 mil profissionais concursados de seu quadro por ano. Em março de 2016 eram 53.269 trabalhadores; em janeiro de 2018, o número passou a 48.555. O déficit de funcionários da saúde no estado é estimado em 55.913.

Com salários congelados há sete anos, a categoria reivindica reajuste de 45,58%. O último reajuste, em março de 2012, foi de 3,5%. A inflação acumulada para o período foi de 50,68%, considerando o Índice de Custo de Vida (ICV-Dieese).

Além das perdas salariais, sobrecarga de trabalho, condições precárias de exercício da profissão, os manifestantes temem a aprovação da reforma da Previdência.

Ala das trabalhadoras e trabalhadores “zumbis”, em protesto à reforma da Previdência.| Foto: Jordana Mercado

“Estamos na 78ª Semana Brasileira da Enfermagem e não temos nada para comemorar. A [reforma da] Previdência nos atinge também; é cruel. Do jeito que hoje os trabalhadores estão sobrecarregados, adoecidos, com falta de coisas básicas [insumos e materiais de trabalho] no hospital para dar um bom atendimento e quando está em vias de se aposentar, não se aposenta também”, disse a dirigente.

O congelamento de recursos na área da saúde, impostos pela Emenda Constitucional 95, foi tema de várias faixas e cartazes empunhados pelos manifestantes.

Edição: Daniel Giovanaz

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