Surto de dengue pode ter sido agravado por crime da Vale em Brumadinho (MG)

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De acordo com professor, se não houver prevenção há também o risco de aumento de doenças como chikungunya, zica, febre amarela e sofrimentos mentais.

Foto: James Gathany, Centers for Disease Control and Prevention

14/05/2019

Já são 209 mil casos suspeitos de dengue no estado; um aumento de 1.200% em relação a 2018, quando foram registrados 17 mil casos.

 

Por Rafaella Dotta, do Brasil de Fato (MG)

Os registros de dengue em Minas Gerais surpreenderam neste ano. Já são 209 mil casos suspeitos de dengue no estado, segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de Minas Gerais. Este número representa um aumento de 1.200% em relação a 2018, quando até a mesma data foram registrados 17 mil casos.

A situação acende novamente o alerta sobre as consequências do rompimento da barragem da Mina Feijão, em Brumadinho. No início de fevereiro, a Fundação Fiocruz lançou um relatório alertando para um possível surto de dengue, febre amarela e esquistossomose na região. Um dos indícios da relação é que Betim foi a cidade com maior número de mortes confirmadas (nove) no estado e fica a apenas 10 quilômetros do Rio Paraopeba.

Falta de água e matança dos predadores

Um dos motivos que podem ter agravado o surto de dengue é o corte de abastecimento de água e a contaminação do Rio Paraopeba. O professor Christovam Barcellos, coordenador do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, explica que é comum que a população guarde água quando tem medo ou de fato falte fornecimento. “O que pode ter acontecido é que tenha faltado água, principalmente em Betim”, diz.

José Geraldo Martins, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e morador de Brumadinho desde o rompimento, conta que tem percebido um aumento de relatos de dengue na região, principalmente entre as pessoas que moram nas margens do rio. Este fato, segundo ele, é confirmado por enfermeiros, médicos e profissionais da saúde.

Ele acredita que o surto está mais relacionado à morte do Paraopeba e dos animais que habitavam o rio. “As populações ribeirinhas encontram tamanduás, muitos macacos e cachorros mortos. Ao mesmo tempo, você não ouve o coaxar de nenhum sapo, você não vê peixe. E são os peixes, sapos e alguns insetos que fazem o controle da população de Aedes Aegypti, porque eles se alimentam das larvas do mosquito”, afirma.

Prevenção: ainda é preciso

O surto de dengue acontece em mais seis estados, além de Minas Gerais, o que mostra que o rompimento em Brumadinho pode ter intensificado o surto, mas não criado. O professor Christovam acredita que, já sabendo disso, o governo deveria ter investido em prevenção. “Infelizmente, o governo enfatizou muito os desaparecidos e mortos, mas além deles existem os deslocados e os afetados. É com esses grupos que estamos preocupados, pois eles são milhões de pessoas”, argumenta.

De acordo com o professor, se não forem prevenidas, ainda podem aparecer doenças como chikungunya, zica, febre amarela, doenças mentais e respiratórias.

No Rio Doce, surto de febre amarela

A Fiocruz também tinha alertado para um surto de doenças infecciosas após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Em 2017 o estado chegou a ter 1.700 suspeitas de febre amarela, das quais 435 se confirmaram. A fundação afirma que um dos principais motivos teria sido a matança de animais predadores dos mosquitos que transmitem a doença, sendo o principal deles o Aedes Aegypti.

 

Edição: Elis Almeida

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