COLUNA | A destruição da Previdência e a maldade com as mulheres

Facebooktwitter

Mulheres recebem, em média, 75% do salário masculino, expostas a maior rotatividade no trabalho e menor contribuição previdenciária.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

25/05/2019

 

 

Proposta de Bolsonaro, analisada em audiências públicas públicas em São Paulo, penaliza mais as trabalhadoras.

 

 

 

Por Alexandre Padilha*

Se tem um seguimento da nossa população que a proposta da Previdência de Bolsonaro é mais cruel, são as mulheres. Estou absolutamente convencido disso, a partir das propostas de mudança em relação à idade mínima, às contribuições das trabalhadoras rurais, das professoras e das viúvas que recebem pensão. Isso ficou mais nítido nas audiências públicas que estou conduzindo no estado de São Paulo, como parte da Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, especificamente para ouvir estudos de lideranças e técnicos sobre o impacto da proposta do Bolsonaro na vida das mulheres.

Fizemos a primeira na região do ABCD Paulista, a segunda aconteceu na macrorregião de Campinas e agora teremos a terceira, na segunda-feira (27), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Essas audiências têm mostrado que as mulheres trabalham mais, ocupam mais tempo de carga horária associando o trabalho profissional e o doméstico, começam a trabalhar mais cedo, inclusive pelo trabalho doméstico.

Ao logo da vida profissional, as mulheres acabam ascendendo menos na carreira por conta do machismo institucional, por terem que interromper o trabalho em decorrência da licença-maternidade, por receberem em média 75% do salário masculino, possuírem maior rotatividade no trabalho e, consequentemente, menor capacidade de contribuir regularmente ao INSS, ainda mais em relação a uma poupança de capitalização.

Além disso, por viverem mais, certamente serão discriminadas nas propostas de capitalização privadas, deverão ser submetidas a mais exigências para obtenção de algum tipo de aumento de contribuição em razão de sua idade de vida.

A proposta de Bolsonaro, se é cruel com o conjunto da população, é ainda mais cruel com as mulheres. Por isso, quero convidar a todas e todos a acompanhar essas audiência públicas para contribuir com o debate da Comissão Especial de Previdência.

* Alexandre Padilhaé médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

Edição: Cecília Figueiredo

Facebooktwitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

São bem-vindas declarações que se proponham ao diálogo, defendam posições, que exponham ideias, dúvidas, sugestões e críticas. Não serão aceitos comentários sexistas, xenófobas, racistas, homofóbicas ou que contrariem princípios dos direitos humanos. A moderação também irá filtrar a comentários que incorram em crimes de ódio, incitação à violência e calúnia. Textos com propaganda comercial serão excluídos.