Artigo | Feliz dia das obstetrizes: defendendo os direitos das mulheres!

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Ser obstetriz no Brasil não é das tarefas mais fáceis.

Foto: Divulgação

03/05/2019

 

Especialista lembra da necessidade de nomeação das obstetrizes que passaram em concurso da Prefeitura de SP, em 2016.

 

 

Por Glauce Cristine Ferreira Soares*

Cinco de maio é o Dia Internacional das Obstetrizes! Dia de lembrar o porquê escolhemos essa profissão… Dia de rememorar os momentos de desafio e encanto, dia de fortalecer em nós o sentido de ser parteira.

Ser obstetriz no Brasil não é das tarefas mais fáceis. Propor um modelo de cuidado que valoriza as mulheres, respeita sua autonomia e promove o empoderamento das pessoas no cuidado em saúde é estar na contramão do que está instituído! É resistir, é lutar!

Ser obstetriz é lutar contra um sistema que valoriza a cultura da cesariana em nosso país, processo rápido, controlado, produtivista, mecânico… e assim, com muito mais afinidade com o lucro, o capitalismo e uma sociedade medicalizada.

Ser obstetriz é propor decisões compartilhadas, considerando os saberes das mulheres sobre seu corpo e o processo de parto. É respeitar os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres! É desenvolver o cuidado com base nas evidências científicas, propiciar acolhimento e escuta, garantir um ambiente em que a mulher sinta-se segura para o trabalho de parto e parto.

É considerar a mulher como sujeito de direitos e o cuidado nesse período como parte dos direitos humanos. Assim, colocar como objetivo, além de um bebê e uma mulher saudáveis, a importância de uma experiência positiva de parto!

É não intervir de forma desnecessária em um processo natural, fisiológico. É estudar muito para garantir um atendimento seguro e de qualidade. Lutar pela promoção da saúde das mulheres e dos bebês.

É ouvir as mulheres, seus desejos, sua história, seu contexto e trazer tudo isso como uma forma de cuidado. É respeitar a individualidade e o tempo de cada mulher… Ah, e cada mulher tem seu tempo de parir!

Sempre lembro de uma obstetriz que tenho muito orgulho falando que “parteira é elogio”. E é. Ser parteira é ser resistência, revolução! Pois fazer parte desse time é sinal de que somos fortes, autônomas e temos um grande trabalho pela frente!

Como pedido para esse 05 de Maio fica o desejo da nomeação das obstetrizes na Prefeitura de São Paulo para trabalhar no SUS, na rede municipal. As obstetrizes/parteiras precisam ser valorizadas em seu trabalho para que possam desenvolver o objetivo para o qual foram formadas: cuidar bem das mulheres e bebês!

* Glauce Cristine Ferreira Soares é obstetriz, doutora em Ciências pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), membro da diretoria da Rede para Humanização do Parto e Nascimento (Rehuna), do GT de Saúde da Mulher do Coren-SP e Comitê de Ética da Federação Latino-americana de Obstetrizes (FLO).

 

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