Redes de clínicas particulares criam mais demandas para um SUS em desmonte

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Em 2017, o Dr. Consulta ficou na faixa de R$ 150 milhões. Em 2018, encolheu para R$ 90 milhões.

Foto: Reprodução

11/04/2019

Crise econômica intimida empresas da saúde; SUS segue a universalização do atendimento com cortes orçamentários e ataques.

 

 

Por Redação*

Enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) segue perdendo recursos, com o congelamento imposto pela Emenda Constitucional 95, e sendo desmontado pelos governos, a população brasileira cresce, as doenças e os problemas socioeconômicos também, como desemprego e perdas de planos privados, as redes de clínicas populares estão em declínio, conforme matéria do Valor Econômico.

A reportagem relata que a expansão de redes de clínicas particulares, propalada há quatro anos, está sendo atingida pela “crise econômica”. Curiosamente, a maior dessas redes, a Dr. Consulta, em maio de 2016 tinha 12 clínicas e hoje tem 57. Fundada há oito anos por Thomaz Srougi, a Dr. Consulta conta com um seleto grupo de investidores como o empresário Jorge Paulo Lemann, o publicitário Nizan Guanaes e o dentista Renato Velloso, um dos criadores da OdontoPrev.

Entre 2013 e 2017, a rede de clínicas, com unidades instaladas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, captou US$ 92 milhões com investidores. Em novembro do ano passado, alguns acionistas fizeram um empréstimo para a própria rede de cerca de R$ 50 milhões, segundo fontes.

A matéria segue informando que “o faturamento, porém, não cresceu no ritmo esperado”. Em 2017, ficou na faixa de R$ 150 milhões, segundo uma fonte. E no ano passado, encolheu para algo em torno de R$ 90 milhões. A companhia informou que o faturamento é de três dígitos.

Queda nos lucros, redução de tamanho ou fechamento dessas redes clínicas – Dr. Agora, Meu Doutor e Clínica Fares -, o fato é que a sobrecarga sempre estará direcionada ao SUS.

No setor público, porém, está em curso o sucateamento de programas importantes, implementados nos últimos 15 anos, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) com falta de equipes e condições de trabalho, os cortes no Farmácia Popular que em dois anos deixou de atender a 2 milhões de pessoas, e o retrocesso na Atenção Primária, provocado pela falta de profissionais cubanos e o anúncio do encerramento do Mais Médicos.

Financeirização

Em setembro de 2018, o sociólogo e doutor em Ciências, Ricardo Lima Jurca, escreveu em artigo para este site que a rede Dr. Consulta, de clínicas particulares voltadas para as classes C e D, contratou o banco americano JP Morgan para expandir os seus negócios.

Autor da pesquisa “Individualização social, assistência médica privada e consumo na periferia de São Paulo”, defendida pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Jurca fala dos mecanismos utilizados pela rede, as perspectivas de expansão e por onde iniciaram o negócio “promissor” da saúde.

“Se pensarmos que tantos países aceitaram sacrificar os investimentos públicos e as políticas sociais, inclusive o Brasil, para satisfazer este concentrado mundo financeiro, não há como não ver a dimensão política que a expansão desse negócio lucrativo assumiu. Com a fragmentação da capacidade pública, qualquer regulação ou ordenamento do que acontece no planeta parece estar fora do nosso alcance, o que abre espaço para o vale-tudo”, defende o sociólogo.

+ ARTIGO | Financeirização na saúde: Dr. Consulta e o banco americano JP Morgan

 

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