Fiocruz desenvolve teste rápido para identificar Zika

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Expectativa dos pesquisadores é que o kit seja desenvolvido pela indústria nacional, com a participação da Biomanguinhos, e disponibilizado até o final de 2019.

Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil

15/04/2019

 

 

Criadores do método garantem que o exame dispensa treinamento complexo, é mais preciso e 40 vezes mais barato que o tradicional.

Por Redação*

Em breve em apenas 20 minutos será possível descobrir a infecção pelo vírus da Zika. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, desenvolveram um método simples e 40 vezes mais barato que o tradicional. Hoje o resultado do exame pode demorar até 15 dias.
Jefferson Ribeiro, um dos pesquisadores do núcleo que desenvolveu o teste, a técnica atual (PCR) é extremamente cara e o Brasil tinha apenas cinco laboratórios de referência que realizavam o diagnóstico de Zika, incluindo a Fiocruz de Pernambuco. “A amostra precisa sair do interior, ir para a capital, para ser processada, enfim, se pensarmos nesses municípios, o resultado pode demorar 15 dias”, esclarece Ribeiro.

Outra vantagem do novo teste é que pode ser feito por qualquer pessoa nos posto de saúde, não exige treinamento complexo. Com um kit rápido, basta coletar amostras de saliva ou urina, misturar com reagentes fornecidos em um pequeno tubo plástico e depois aquecer em banho maria. Vinte minutos depois, se a cor da mistura se tornar amarela, está confirmado o diagnóstico de Zika, se ficar laranja, o resultado é negativo. Hoje, o teste PCR (reação em da polimerase), com reagentes importados, é feito com material genético retirado das amostras, o que demora mais.

O teste elaborado pela Fiocruz Pernambuco é também mais preciso, ou seja, tem uma taxa de erro menor, acusando a doença mesmo em casos que não foram detectados pela PCR.

A expectativa dos pesquisadores é que o kit seja desenvolvido pela indústria nacional, com a participação da Biomanguinhos, e disponibilizado até o final de 2019. Testes semelhantes já são usados para o vírus da dengue e outras bactérias.

O novo teste para a Zika foi desenvolvido no mestrado em Biociências e Biotecnologia em Saúde, com orientação do professor Lindomar Pena. Em breve, será publicado em detalhes em revista científica. Anteriormente, os pesquisadores publicaram artigo com os resultados dos testes para amostras de mosquitos infectados e não de secreções humanas.

Notificações

O número de casos de Zika, que pode causar microcefalia em bebês, vem diminuindo nos últimos anos. No entanto, o país registrou 8.680 diagnósticos em 2018 (em 2017 foram 17.593), com maior incidência no Norte e Centro-Oeste. A doença está relacionada à falta de urbanização e de saneamento básico e costuma aumentar nas estações chuvosas.

A doença é transmitida por picada de mosquito, mas também durante a relação sexual desprotegida e de mãe para filho, na gestação. Provoca complicações neurológicas como a microcefalia e a Síndrome de Guillain Barré.

Começa com manchas vermelhas pelo corpo, olho vermelho, febre baixa e dores pelos corpos e nas juntas, geralmente, sem complicações.

* Com informações da Agência Brasil

 

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