Coluna | “A saúde induz o desenvolvimento do País”, defende Padilha

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Economista sênior do Banco Mundial Edson Araújo defendeu na quinta-feira (4) mais presença do setor privado na saúde brasileira.

Foto: Agência Brasil

6/04/2019

 

Ministério da Saúde apoia relatório do Banco Mundial, que prevê mais economia e cortes.

 

 

 

Por Alexandre Padilha*

Como membro da Comissão de Saúde e Seguridade Social e Família da Câmara de Deputados, participei de um debate muito importante, na última quinta-feira (4), de uma proposta do Banco Mundial de reformulação do Sistema Único de Saúde.

Foi importante estar presente para fazer a defesa clara: nós não abrimos mão da ideia da saúde como um direito das pessoas e um dever do Estado. É inaceitável esse discurso que é feito pelo Banco Mundial, da necessidade de economia dos recursos da saúde. Dissemos claramente que se tiver recurso sendo mal investido, economia possível de ser feita, que o resultado seja o reinvestimento na área da saúde. A saúde contribui para a economia, para o desenvolvimento da geração de empregos.

Um exemplo assustador, na semana passada, é que pelo menos três grandes indústrias internacionais de medicamentos anunciaram o fechamento da produção de medicamentos aqui no Brasil. Isso acontece porque os atores da indústria, de equipamentos, de serviços, quando enxergam que existe na Constituição brasileira um congelamento de 20 anos dos recursos da saúde, com a Emenda Constitucional 95, eles passam a não ter perspectiva de produção para o mercado público, mostrando claramente que os cortes de recursos da saúde geram desemprego no setor.

A saúde induz a economia, o desenvolvimento, e esse foi um debate importante às vésperas do Dia Mundial da Saúde, 7 de abril.

Também tivemos o lançamento da 16a Conferência Nacional de Saúde, um marco importante porque foi na 8a Conferência Nacional de Saúde que se definiu a construção do SUS, e a 16a tem que ser o marco para a salvação do Sistema Único de Saúde, o resgate do SUS, saúde enquanto direito.

Esse para mim é o principal debate no dia 7 de abril, da saúde como direito, que envolve um conjunto de políticas, não apenas na garantia do acesso aos serviços de saúde, como o Mais Médicos, a Farmácia Popular, o SAMU que está sendo destruído pelo prefeito da cidade de São Paulo. Um debate sobre o conjunto das políticas que impactam na saúde, como é o caso das políticas dos agrotóxicos no País, que impactam o meio ambiente, a vida das pessoas, o tema da violência, dos acidentes de trânsito, da mobilidade urbana.

Vários aspectos que impactam na saúde e estarão no debate do Dia Mundial da Saúde, no dia 7 de abril.

Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

Edição: Cecília Figueiredo

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