Artigo | Dia em homenagem ao Técnico de Farmácia nasce na luta

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Mobilização, que reuniu técnicos, farmacêuticos e o apoio de outros profissionais, em 2017, garantiu o emprego de cerca de 4.500 técnicos e pelo menos 500 farmacêuticos da rede municipal de saúde.

Foto: André Kuchar/ Mandato Juliana Cardoso

9/04/2019

 

 

Vereadora apresenta projeto para estabelecer o 25 de janeiro como data em que técnicos e farmácias públicas foram asseguradas à população.

 

 

 

Por Juliana Cardoso*

Nestes tempos em que setores reacionários iluminados pretendem reescrever a história do Brasil, negando a existência do golpe de 1964 que instalou ditadura civil-militar e, principalmente, tentando apagar as lutas populares das páginas dos livros, um projeto de lei protocolado na Câmara Municipal de São Paulo pelo nosso mandato ganha um significado especial. É o projeto que institui o 25 de janeiro como o Dia do Técnico de Farmácia. A despeito de ser a data comemorativa da fundação da cidade de São Paulo, 25 de janeiro tem significado simbólico e marcante para os profissionais desta área.

Foi em 25 de janeiro de 2017 que um grupo de técnicos de farmácia se reuniu na Praça da Sé, em frente à Catedral, para iniciar a luta que garantiu o emprego de cerca de 4.500 técnicos e pelo menos 500 farmacêuticos da rede municipal de saúde. Essa mobilização estendeu também benefícios à população, como manter o acesso aos profissionais de farmácias e aos medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Afinal, a distribuição estava ameaçada. A gestão João Doria (PSDB) pretendia entregá-la à iniciativa privada.

Doria havia anunciado projeto para fechar as farmácias públicas, que ficam dentro das Unidades Básicas de Saúde (UBS), das unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e do Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), e repassar o fornecimento de medicamentos para as grandes redes de drogarias. A privatização da assistência farmacêutica pública foi o primeiro ataque ao SUS desfechado por Doria. E foi a sua primeira derrota na administração municipal.

Se o projeto entrasse em vigor usuários do SUS, principalmente de bairros periféricos, seriam prejudicados. Primeiro, pela qualidade do atendimento e atenção farmacêutica, que não seria mais garantida. Nas farmácias públicas, o usuário recebe orientação detalhada sobre o uso dos medicamentos. Segundo, porque os bairros mais afastados da periferia contam com farmácias públicas, dentro dos serviços de saúde, e não com grandes redes de drogarias.

Após meses de luta, protestos, assembleias reunindo centenas de profissionais e entidades da categoria, e até um abaixo-assinado que reuniu mais de 80 mil adesões da população, a Prefeitura resolveu arquivar o projeto.

Portanto, pode parecer singelo oficializar essa data e valorizar os profissionais, mas há uma simbologia de luta, de que a luta vale a pena.

Datas importantes comemorativas do calendário são frutos de lutas, que rememoram e acendem a resistência popular contra desmandos e arbítrios. É assim com o Dia do Trabalhador (1º de Maio), o Dia de Luta das Mulheres (8 de Março), da Consciência Negra (20 de Novembro) e outras datas. São exemplos da resistência popular que movem a história e que não poderão ser jamais apagadas com tentativas de revisionismo histórico de canetada.

* Juliana Cardoso é vereadora (PT-SP), membro das comissões de Saúde, Direitos Humanos e de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal de São Paulo.

 

Edição: Cecília Figueiredo

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