Repórter SUS | Tuberculose tende a aumentar com agravamento das condições de vida

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Falta de saneamento básico, moradias precárias, dificuldades na prevenção e tratamento, podem agravar incidência de casos.

Foto: Agência Brasil

25/03/2019

Fortalecer Saúde da Família e melhorar situação socioeconômica são fundamentais para vencer a doença, diz especialista.

 

Por Giulia Escuri, para Brasil de Fato (RJ)

Vinte e quatro de março é o Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, umas das patologias que mais matam no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo o organismo internacional são 500 mortes por dia, no mundo, em decorrência da tuberculose.

O Brasil é um dos 30 países que concentram 87% da carga mundial de tuberculose. Em 2017, foram notificados 73 mil novos casos no País e o estado do Rio de Janeiro tem uma das mais altas taxas da doença. A média nacional de casos de tuberculose é de 33,5 a cada 100 mil habitantes. O estado do Rio tem praticamente o dobro, 65,7 casos a cada 100 mil pessoas, segundo o Fórum Estadual de Organizações Não-Governamentais no Combate à Tuberculose.

E as chances de aumento são fortes, já que a doença além de não estar controlada, está intimamente associada às condições socioeconômicas. Este é o alerta da arquiteta Luísa Pessoa, diretora do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), no Repórter SUS dessa semana, programa produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz.

“A doença tende a se agravar, porque com as condições sociais sendo debilitadas – menos trabalho, as pessoas se alimentando pior, moradias em piores condições -, as chances sempre é da tuberculose aumentar”, analisa a sanitarista.

Morador da Favela do Cimento, após despejo em 24 de março de 2019, em SP. | Foto: CF

Outro ponto preocupante é a recidiva – a recaída da doença -, pelo abandono do tratamento, que torna a doença resistente ao tratamento. “A pessoa começa o tratamento da tuberculose e para no meio. O que torna o bacilo resistente e depois para retomar o tratamento e ficar curado é sempre uma tarefa mais difícil. Em alguns casos nem ocorre”, adverte a diretora do Cebes.

O fortalecimento das equipes de Estratégia Saúde da Família é fundamental. “O trabalho desses agentes comunitários de saúde, que correm atrás de novos casos de tuberculose, para que ninguém deixe de tomar medicação”, detalha.

Na opinião da sanitarista, é preciso que se debata na Semana de Combate à Tuberculose a importância do Estado garantir melhores condições sociais para as pessoas. “Uma habitação precária, sem ventilação, sem iluminação, toda confinada, com muitas pessoas morando numa mesma casa, dormindo num mesmo quarto, fazem um ambiente propício para a contaminação da tuberculose”, explica.

Vamos ouvir:

 

Edição: Cecília Figueiredo

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