COLUNA | Basta de exaltação ao ódio

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Foto: Montagem Saúde Popular

15/03/2019

 

 

Uma semana difícil, que marca um ano da morte de Marielle e a tragédia na cidade de Suzano.

 

 

Por Alexandre Padilha*

Minha coluna dessa semana serve para mandar um abraço de solidadriedade e conforto à cidade de Suzano, município em que tenho relações que ultrapassam o fato de ser do estado de São Paulo, da Região Metropolitana de São Paulo, mas pelos projetos, pela luta que foi construída pelo movimento de moradia, de saúde, movimento de juventude, e que teve uma expressão muito própria durante as gestões do PT.

Eu participei dessas gestões petistas com muita proximidade, seja como ministro das Relações Institucionais do presidente Lula ou na condição de ministro da Saúde da presidente Dilma. Impossível esquecer a inauguração do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) em Suzano, o projeto do Hospital Regional, de expansão das unidades de saúde.

Naquele período, Suzano era imagem de uma cidade de participação popular, com um prefeito negro, certamente um dos únicos governando uma importante cidade paulista.

Hoje, ao ouvirmos a palavra Suzano não tem como não associar à tragédia que ocorreu em 13 de março. Uma escola que, inclusive, tem uma relação especial para quem participou das gestões públicas em Suzano [2005 a 2012], do processo de participação conforme ocorreu também nas demais unidades escolares, que receber plenárias do Orçamento Participativo (OP), Plano Plurianual Participativo (PPA), reuniões de conselhos de saúde, formação da educação, de discussão de políticas de juventude.

É a imagem de uma cidade feita por trabalhadoras e trabalhadores, por uma juventude trabalhadora que, infelizmente, pela exaltação ao ódio, à violência, vai se tornar a imagem de uma cidade onde o que a expressão máxima do ódio pode fazer com a nossa juventude.

Uma semana difícil, um ano da morte de Marielle, uma mulher negra que não conheci tanto quanto a cidade de Suzano, mas basta vermos o aparato, a máquina de poderosos envolvida em seu assassinato, para termos clareza da força que era essa mulher Marielle, a força que era o Anderson, seu assessor que também foi assassinado.

Hoje, essa é uma coluna de abraço, onde temos que reforçar que ninguém solta a mão de ninguém, para que a gente tenha consciência que a nossa luta vale e estamos do lado certo da história. Uma coluna que clama por um basta, basta dessa ideia de querer barbarizar ainda mais o Brasil com uma política de liberação de armas e de exaltação ao ódio.

Grande e profundo abraço a todas e todos.

Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

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