Coluna | 8 de março: dia de celebração do poder feminino e de resistência

Facebooktwitter

Foto: Elaine Campos/ FB MMM

8/03/2019

 

 

Para Padilha, data enfatiza a luta contra os ataques aos direitos que as mulheres estão sofrendo.

 

 

Por Alexandre Padilha*

Nesta semana, não poderia deixar de falar do 8 de março, Dia Internacional da Luta das Mulheres, um momento de celebração da afirmação do poder feminino, da aquisição de mais avanços, espaço da mulher no mercado de trabalho, direitos, mas, sobretudo, nesse momento do país, é um dia para reforçarmos a nossa capacidade de resistência em relação aos ataques que as mulheres estão sofrendo depois do início do governo Bolsonaro.

Nunca tantas mulheres foram assassinadas no Brasil como em janeiro deste ano. E é lógico que isso tem uma relação direta com as falas, posicionamentos e políticas públicas do novo governo. Um presidente da República que diz que o nascimento de uma filha é fruto de uma “fraquejada” e uma ministra, que responde pelo conjunto das políticas públicas de direitos das mulheres e dos direitos humanos, afirmando sua posição contra qualquer movimento feminista, produz na sociedade o reforço da misoginia.

É um dia para que a gente reforce os avanços que foram conquistados pelas mulheres nas políticas públicas no nosso país, que resistem a qualquer destruição. Tenho muito orgulho de, na condição de ministro da Saúde, ter garantido grandes avanços para essas politicas, frutos do diálogo com o movimento das mulheres, de uma decisão muito clara da então presidenta Dilma Rousseff.

Foi na minha gestão no Ministério da Saúde que criamos a Rede Cegonha, estabelecendo recursos e diretrizes para o parto humanizado, aprovamos a lei que obriga todos os serviços do SUS a acolher as mulheres vítimas de violência, do ponto de vista clínico, psicológico, de orientação jurídica. Ofertando tudo o que conhecemos para evitar uma gravidez oriunda da violência, na orientação sobre o Aborto Legal, garantia de medicamentos para infecções sexualmente transmissíveis (IST) e que as anotações dos registros dos profissionais de saúde sirvam como prova para uma ação judicial, não exigindo que as vítimas se desloquem até o Instituto Médico Legal (IML) ou Polícia Civil, onde são tão maltratadas.

Fruto da iniciativa de notificação da violência contra a mulher, pelo serviços de saúde, foi possível identificarmos que mais da metade dos agressores das jovens, com menos de 18 anos, são seus pais ou padastros, cerca de 60% são parentes, 70% são conhecidos. A violência sexual, psicológica e física está presente nas famílias, na vizinhança, no local de trabalho, na escola.

Esses dados nos permitem construir políticas públicas, para evitar as violências contra as mulheres. No entanto, o governo Bolsonaro faz um ataque frontal às mulheres brasileiras, ao enviar ao Congresso Nacional uma proposta de mudança da Previdência pública no país.

Em cada ponto do projeto, quando teve que decidir entre prejudicar ou proteger as mulheres, a proposta do Bolsonaro é prejudicar.

Prejudica as professoras, as trabalhadoras rurais, as pensionistas, a população em geral. Desconhece a chamada jornada tripla de trabalho das mulheres; delas que recebem, em média, 75% do salário médio pago aos homens. Uma defasagem que só aumenta ao longo da progressão da carreira, porque os homens progridem mais e as mulheres menos, em razão do machismo, misoginia, de serem impedidas de ocupar papel de liderança, para se dedicarem ao cuidado dos filhos e da família, por terem menos tempo para se qualificar.

Então, o 8 de março é um dia de celebração do poder feminino e de resistência, e luta contra os ataques aos direitos que as mulheres estão sofrendo.

Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

Facebooktwitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

São bem-vindas declarações que se proponham ao diálogo, defendam posições, que exponham ideias, dúvidas, sugestões e críticas. Não serão aceitos comentários sexistas, xenófobas, racistas, homofóbicas ou que contrariem princípios dos direitos humanos. A moderação também irá filtrar a comentários que incorram em crimes de ódio, incitação à violência e calúnia. Textos com propaganda comercial serão excluídos.