Coluna | “Votar 65 anos é um crime”, afirmou Bolsonaro durante a campanha eleitoral

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Antes de ser presidente, Jair Bolsonaro (PSL) criticava a elevação da idade na Reforma da Previdência, por sacrificar trabalhadores como no Piauí, onde a perspectiva de vida é de 69 anos.

Foto: Montagem Saúde Popular

22/02/2019

 

Presidente cometeu um crime ao enviar a proposta de Reforma da Previdência ao Congresso, avalia Padilha.

 

 

Por Alexandre Padilha*

Essa semana não teria como o diálogo ser outro nesta coluna senão sobre a proposta criminosa de destruição da Previdência Social pública, encaminhada pelo governo Bolsonaro.

Eu faço aqui as palavras do próprio presidente Bolsonaro, quando durante a campanha eleitoral afirmou mais de uma vez que, ‘estabelecer idade mínima de 65 anos num país como o Brasil seria um crime’. Pois é, essa semana o governo Bolsonaro cometeu um crime ao encaminhar essa proposta para o Congresso Nacional.

Reprodução do Youtube

Um crime contra a grande maioria do povo brasileiro. Um crime contra as mulheres, sobretudo as trabalhadoras rurais, mas também as trabalhadoras urbanas. Um crime contra as professoras e professores. Um crime contra os idosos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a forma como um idoso pode acessar a um benefício caso não tenha contribuído para a previdência ao logo da vida. Um crime contra as pessoas que já recebem algum tipo de pensão, são viúvos, viúvas, e que, ao se aposentarem, não vão poder receber um novo benefício. Um crime contra a perspectiva do Brasil ser um país menos desigual.

Essa é uma proposta que aprofunda a desigualdade, exatamente porque ela protege quem deve à Previdência, protege quem tem privilégios, como o Judiciário, as Forças Armadas, e deixa sem perspectiva de se aposentar a grande maioria do povo brasileiro.

Não sei se todos sabem, mas a grande maioria do povo brasileiro começou a trabalhar com menos de 18 anos de idade. Fazem propostas de idade mínima, comparando realidades de países da Europa, onde a grande maioria da população começa a trabalhar entre 22 e 25 anos de idade. Ou seja, ter isso como referência para uma proposta para o povo brasileiro, estabelecer a idade mínima de 65 anos para aposentadoria e exigir 40 anos de contribuição é desconhecer a realidade do povo brasileiro.

 Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

Edição: Cecília Figueiredo

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