Brasil concentra 60% dos casos de sarampo registrados nos países das Américas

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Foto: EBC

22/01/2018

 

São 10.274 ocorrências dos 17 mil registrados, segundo a Opas

 

Por ONU BR

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) afirmou nesta segunda-feira (21) que 12 países das Américas notificaram 17.361 casos confirmados de sarampo desde o ano passado. O Brasil responde por 10.274 ocorrências da doença — o maior número registrado entre as nações da região. Em seguida, vem a Venezuela, com 6.395 episódios de infecção.

O Estado brasileiro também notificou 12 mortes por causa da enfermidade, ao passo que, na Venezuela, os óbitos chegaram a 76. Os dados do Brasil incluem notificações feitas até janeiro deste ano. Os números venezuelanos dizem respeito ao período que vai de junho de 2017 a dezembro de 2018. As estatísticas são das mais recentes atualizações epidemiológicas divulgadas pela Opas.

Entre os outros países com casos de sarampo confirmados desde o ano passado, estão Antígua e Barbuda (uma ocorrência até novembro de 2018), Argentina (14 casos até novembro de 2018), Canadá (29 casos até dezembro de 2018), Chile (24 casos até janeiro de 2019), Colômbia (212 casos até janeiro de 2019), Equador (19 casos até novembro de 2018), Estados Unidos (349 casos até dezembro de 2018), Guatemala (um caso até novembro de 2018), México (cinco casos até novembro de 2018) e Peru (38 casos até novembro de 2018).

Algumas nações não notificaram infecções nas primeiras semanas de 2019, enquanto outras ainda não registraram informações.

Em 30 de novembro de 2018, todos os 12 países já haviam notificado 16.039 casos confirmados de sarampo. Em abril no mesmo ano, eram 385 episódios de infecção registrados em 11 países das Américas — apenas o Chile não fazia parte desse grupo.

Para controlar a propagação da doença, a OPAS recomenda que os países mantenham a cobertura vacinal da população-alvo em pelo menos 95% (com duas doses da vacina). A agência também indica fortalecer a vigilância epidemiológica, a fim de aumentar a imunidade da população, bem como detectar e responder rapidamente a casos suspeitos de sarampo.

O organismo internacional ressalta a importância de vacinar populações em risco, como profissionais de saúde, pessoas que trabalham nas áreas de turismo e transporte (hotelaria, aeroportos, motoristas de táxi, etc.) e viajantes internacionais. A OPAS destaca ainda a necessidade de identificar fluxos migratórios do exterior (chegada de estrangeiros) e fluxos internos (movimentos de grupos populacionais).

Além disso, a OPAS orienta que, durante os surtos, seja estabelecido um manejo correto das infecções, com o intuito de evitar a transmissão dentro dos serviços de saúde. A instituição aconselha autoridades a estabelecer um fluxo adequado de pacientes para salas de isolamento, evitando assim o contato com outros pacientes em salas de espera ou locais de internação.

Sarampo no mundo

O sarampo é uma doença grave e altamente contagiosa, causada por um vírus. Pode ser prevenida por uma vacina segura e eficaz, cujas doses devem ser administradas conforme o calendário nacional de vacinação de cada país.

No entanto, a cobertura global da primeira dose da vacina contra o sarampo estagnou em 85%, número menor do que os 95% necessários para evitar surtos. Isso deixa muitas pessoas, em diversas comunidades, suscetíveis à doença. A cobertura com a segunda dose é ainda menor: 67%.

Devido a essas lacunas na imunização, surtos de sarampo ocorreram em todas as seis regiões da Organização Mundial da Saúde (OMS), com uma estimativa de 110 mil mortes relacionadas à doença no mundo em 2017.

Na Europa, mais de 41 mil crianças e adultos foram infectados com sarampo apenas nos primeiros seis meses de 2018. Em todo o ano de 2017, foram identificados 23,9 mil casos no continente. Em 2016, 5,2 mil.

Vacinação no Brasil

No Brasil, o esquema vacinal funciona da seguinte forma: crianças com idade de 12 meses até menos de cinco anos recebem uma dose da vacina aos 12 meses (tríplice viral) e outra aos 15 meses de idade (tetra viral) – em casos de surtos, recomenda-se a aplicação de uma terceira dose. Já pessoas de cinco a 29 anos de idade que perderam a oportunidade de serem vacinadas anteriormente recebem duas doses da vacina tríplice viral. Adultos de 30 a 49 anos recebem uma dose da vacina tríplice viral.

Quem comprovar a vacinação contra o sarampo conforme preconizado para sua faixa etária, não precisa receber a vacina novamente.

O vírus do sarampo é espalhado por tosse e espirros, contato pessoal próximo ou contato direto com secreções nasais ou da garganta. Entre os sintomas, estão erupção cutânea (vermelhidão na pele), febre, nariz escorrendo, olhos vermelhos e tosse. Entre as complicações mais graves, estão cegueira, encefalite (infecção acompanhada de edema cerebral), diarreia grave (que pode provocar desidratação), infecções no ouvido ou infecções respiratórias graves, como pneumonia.

Pessoas com sinais de sarampo devem ser levadas para um centro de saúde imediatamente. O vírus permanece ativo e contagioso no ar ou em superfícies infectadas por até duas horas e pode ser transmitido por uma pessoa infectada num período de quatro a seis dias antes e quatro dias depois do aparecimento das erupções cutâneas (vermelhidão na pele).

No Brasil, quando a pessoa for se vacinar, é importante levar o próprio cartão de vacinação e o das filhas ou filhos. Assim, os profissionais de saúde poderão ver se serão necessárias outras vacinas. Se a pessoa não tiver o cartão de vacinação, as vacinas também estarão disponíveis para ela. Mas é importante que se lembre de guardá-lo da próxima vez.

Às vezes, um leve inchaço e vermelhidão podem ocorrer no local da injeção da vacina. Isso não deve ser motivo de preocupação. Normalmente, o problema desaparece com compressas mornas e paracetamol.

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