Ana Estela Haddad contesta ameaça de retrocesso na política de combate à Aids

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Foto: Agências de Notícias Aids

29/01/2019

 

Em artigo publicado, nesta terça-feira (29), na “Folha de S. Paulo”, a sanitarista alerta para a necessidade de considerar a história de avanços

 

Por Redação*

As declarações do atual ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta colocando em xeque a efetividade das campanhas de prevenção ao HIV nas escolas e unidades de saúde, assim como  ressalvas à política de combate à Aids, vem gerando desde o ano passado reações entre os especialistas em saúde pública e organizações ligadas ao combate à Aids no País.

A sanitarista Ana Estela Haddad, que é professora da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretora de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, nos governos Lula e Dilma, publicou artigo no jornal “Folha de SP” defendendo a política de de combate à Aids e ressaltando que não é possível permitir retrocessos na área. “Lembro-me, na década de 80, da descoberta da doença. Perdemos ídolos, como Freddie Mercury, que inspirou o filme ‘Bohemian Rhapsody’, Cazuza, Renato Russo. Eu era estudante de odontologia, fazíamos o atendimento clínico dos pacientes sem luvas descartáveis, com exceção dos procedimentos cirúrgicos. Fomos mudando, enquanto a ciência desvendava os mistérios daquela doença fatal”, escreve.

Ana Estela aponta o trato do tema de saúde no país como política de Estado. “Graças a políticas que atravessaram governos de diferentes partidos houve mudanças no comportamento sexual (campanhas de prevenção), no diagnóstico precoce e no acesso democratizado aos caros medicamentos de tratamento”.

E compara avanços obtidos nessas mais de três décadas. “As pessoas acometidas, independentemente da sua condição econômica, sobrevivem, o que não acontecia no passado. Os protocolos para gestantes portadoras do HIV resultaram em 43% de redução na transmissão vertical. Houve casos em que o contágio se dava por meio da transfusão de sangue, o que custou a vida de Henfil, que era hemofílico. Adotaram-se os testes de Aids nos serviços de hemoterapia”.

Ela lembra que embora não esteja entre as principais causas de mortalidade, a expectativa de vida para as pessoas com Aids “tem níveis próximos a de países desenvolvidos, embora marcado por grandes desigualdades”.

Também aponta, no artigo, o reconhecimento obtido pelo País junto à Organização Pan-Americana da Saúde (2011), e lembra os objetivos que levaram à criação do Sistema Único de Saúde. “O SUS, direito constitucional conquistado, se efetivou com impactos inquestionáveis nos indicadores de saúde, com ampla participação social, dos entes federados, e na abrangência das áreas temáticas na estrutura do Ministério da Saúde”.

No final, faz um alerta: “analisar a história para formar opiniões e tomar decisões baseadas em evidências pode evitar retrocessos que coloquem a perder a saúde e a vida das famílias brasileiras, nas suas diversas composições.”

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