Estudo: Mulheres negras são mais afetadas por falta de saneamento e acesso à água

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Moradores equilibram-se em tábuas para chegar a suas casas em Altamira, no Pará.

Foto: Valter Campanato/ABr

7/01/2019

 

 

É o que mostra o estudo lançado na semana passada pela plataforma digital “Mulheres e Saneamento”.

 

Por Redação*

A falta de acesso ao saneamento básico atinge prioritariamente as mulheres autodeclaradas pardas, indígenas e pretas no Brasil. Nesses grupos, as taxas de incidência de escoamento sanitário inadequado foram de 24,3%, 33,0% e 40,9%, respectivamente. Também são as mulheres autodeclaradas negras (pardas e pretas) que têm mais dificuldade de acesso à água.

Este é o resultado do estudo elaborado pela empresa brasileira de saneamento básico BRK Ambiental, lançado na última sexta-feira (4) pela plataforma digital “Mulheres e Saneamento”. O levantamento reúne dados e análises baseadas em pesquisa sobre o tema. A iniciativa contou com apoio da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas e parceria do Instituto Trata Brasil.

Devido ao papel desempenhado pela mulher nas atividades domésticas e nos cuidados com pessoas, a falta de água afeta de maneira mais intensa a vida das mulheres do que a dos homens. Relatório das Nações Unidas de 2016 ressaltou o fato de que as mulheres desempenham trabalhos não remunerados (doméstico e de cuidados) três vezes mais do que os homens.

Assim, como cuidadoras, as mulheres são mais afetadas quando membros da família adoecem como resultado da inadequação do acesso à água, ao esgotamento sanitário e à higiene. Também devido a esse papel, as mulheres estão em maior contato físico com a água contaminada e com dejetos humanos quando a infraestrutura de saneamento é inadequada.

Dessa forma, atingir a Igualdade de Gênero – ou o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 – está intrinsecamente ligado ao nível de universalização do saneamento básico, segundo o estudo.

Mais de meio milhão de mulheres na pobreza

Cumprir essa meta no Brasil significa tirar 635 mil de mulheres automaticamente da linha da pobreza, sendo três de quatro delas negras. São 15,2 milhões de mulheres no Brasil que declararam não receber água tratada em suas moradias e 27 milhões sem acesso adequado à infraestrutura sanitária.

Isso reduz consideravelmente a capacidade de produção da mulher no mercado de trabalho, além de estarem mais vulneráveis a doenças infecciosas como cólera, hepatite e febre tifoide.

* Com informações da ONU BR

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