Populações migrantes não são ameaça à saúde, afirma estudo internacional

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Ação de prevenção e promoção de saúde, no Rio de Janeiro, em 2017.

Foto: ACNUR/ Diogo Felix

18/12/2018

 

 

Relatório internacional aponta que a cada aumento de 1% em migrantes na população adulta, aumenta o produto interno bruto por pessoa em até 2%

 

Por Redação*

Não há qualquer evidência científica de que populações migrantes afetem negativamente a saúde e a economia das regiões para as quais se deslocam. Ao contrário, a migração moderna, em geral, contribui mais para a riqueza das sociedades que as acolhem, do que custam para as estruturas sociais, principalmente quando benefícios, normas legais e políticas públicas de inclusão e de saúde são pensadas acima de preocupações de segurança, como o fechamento de fronteiras, que geralmente ofuscam os direitos dos migrantes.

Essa é a conclusão do estudo elaborado pela Comissão UCL-Lancet em Migração e Saúde, criada pela University College de Londres (UCL) e pelo periódico científico da área da saúde The Lancet, lançado na segunda-feira (17), na Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador (BA). O relatório desmitifica que populações migrantes prejudiquem a saúde e a economia das regiões para as quais se deslocam, concepção fortalecida por discursos neopopulistas reacionários.

Oficialmente lançado no dia 8 de dezembro, durante a Conferência Intergovernamental da Organização das Nações Unidas (ONU), em que representantes de 164 governos adotaram o Pacto Global para a Migração, em Marraquexe, no Marrocos, o relatório aponta que para cada aumento de 1% em migrantes na população adulta, há também um aumento de até 2% no Produto Interno Bruto (PIB) por pessoa.

Do ponto de vista econômico, a comissão estima ainda que, em 2017, US$ 613 bilhões foram enviados por migrantes para suas famílias de origem, sendo que a maior parte dessas remessas, 75%, foram destinadas aos países de baixa e média renda.

O relatório também pontua que, avaliando as condições de 15,2 milhões de migrantes internacionais, em 92 países de alta renda, essa população apresentou menor mortalidade por doenças cardiovasculares, digestivas, endócrinas, nervosas, respiratórias e neoplasias do que a população do país de acolhimento. Apenas quando se trata de infecções como tuberculose, hepatite viral, HIV e agressões externas e às más condições do deslocamento, os imigrantes têm uma morbidade maior, mas atinge principalmente suas comunidades, não a população local.

* Com informações da RBA e Edgar Digital UFBA

 

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