Frente Parlamentar Mista de Saúde Mental visa a ‘mercantilização da vida’; não população

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Foto: CEE/Fiocruz

17/12/2018

 

Patologizar a sociedade é viável apenas num país onde diminui a democracia

 

 

Por CEE-Fiocruz

O sanitarista Paulo Amarante, pesquisador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) analisa neste comentário ao blog do CEE-Fiocruz, os prejuízos à democracia com a instalação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Nova Política Nacional de Saúde Mental. A frente foi criada em novembro de 2018, inicialmente composta por 228 deputados e 4 senadores.

Paulo Amarante alerta que a ameaça não está apenas no campo da Reforma Psiquiátrica, nos avanços na atenção psicossocial e no SUS. “É um retrocesso geral na política brasileira, na democracia, na cidadania, nas práticas sociais mais avançadas e participativas”, afirma o pesquisador.

Amarante observa que há um retorno da politica privatizante, da mercantilização da vida, tomando-se a saúde e as doenças como mercadorias, alvo de interesses específicos. “Não há epidemia de depressão como dizem. O que há é uma epidemia de diagnósticos”, analisa.

O conceito de patologizar a sociedade, produzir ‘epidemias’, segundo ele, estaria justificando o aumento da venda de remédios, mais consultas, procedimentos. “Esse processo só é viável num país onde diminui a democracia, a capacidade nossa de luta, de resistência, por direitos sociais, direitos humanos. É um desvio de rota da sociedade brasileira”.

Na sua avaliação, haverá uma continuidade da política que foi levada pelo governo Temer de maneira aprofundada, no futuro governo.

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