“Direitos Humanos não se pede de joelhos. Exige-se de pé”

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1º Seminário Internacional e 3º Seminário Nacional Agrotóxicos, Impactos Socioambientais e Direitos Humanos.

Foto: Abrasco

26/12/2018

Afirma a Carta de Goiás, documento final dos seminários que reuniram pesquisadores e movimentos sociais de dez países

 

Por Redação*

Pesquisadores, profissionais de diversas áreas, organizações e movimentos sociais de dez países encontraram-se na cidade de Goiás (GO) entre os dias 10 e 13 de dezembro, no 1º Seminário Internacional e 3º Seminário Nacional Agrotóxicos, Impactos Socioambientais e Direitos Humanos.

As iniciativas tiveram por objetivo propiciar o compartilhamento de experiências, desafios e pensar alternativas de enfrentamento a uma realidade desfavorável a famílias camponesas, de agricultores, povos indígenas e comunidades tradicionais. “Para tanto, entendemos necessária a criação e o fortalecimento de laços de resistência e solidariedade para ações articuladas”, diz um dos trechos da Carta de Goiás.

Representantes de 70 organizações sociais enfatizam no documento a preocupação com o lobby em favor de um modelo de agricultura que tem como resultado a degradação ambiental. “Preocupa-nos o controle de poderes legislativos, executivo e judiciário por interesses corporativos venha permitindo a apropriação de nossos territórios, sementes nativas e crioulas, como também a degradação da biodiversidade e bens comuns, com predominância de uma visão de curto prazo que despreza a vida, a história, a cultura e as possibilidades de construção de um futuro com dignidade e soberania”.

Também denunciam o atual cenário, com o avanço de monocultivos, expansão de fronteiras agrícolas e desmatamento, violência e criminalização dos movimentos sociais. “Afrontando direitos humanos (…) em benefício das corporações do agronegócio, favorecidas pelo avanço de governos alinhados ao neoliberalismo extrativista e predatório”, aponta outro trecho.

No documento, as entidades signatárias se comprometem a “formar redes de articulação e atuar de forma conjunta para construir lutas comuns que possibilitem fluxos de informações entre nossos países, mantendo a comunicação, a geração de um conhecimento científico popular com produção científica com pesquisa participante, assim como o enfrentamento político-jurídico como instrumentos de ampliar a integração e fortalecer a América Latina saudável, livre, soberana e atenta”.

Também exigem dos governos celeridade para solução de crimes contra defensores dos direitos humanos. “Maior eficácia na identificação e punição dos responsáveis pelas mortes de lutadores e lutadoras como Marielle Franco no Brasil e tantos outros companheiros e companheiras que tombam na luta por um mundo justo e igualitário, sem qualquer forma de preconceito ou discriminação”, reiteram.

Ao lembrar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, completos em 2018, eles reafirmam a aliança orientada pelas palavras de Dom Tomás Balduino: “Direitos Humanos não se pede de joelhos. Exige-se de pé”.

Carta de Goiás – “Direitos Humanos não se pede de joelhos. exige-se de pé”

 

* Com informações do portal Abrasco

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