Cuba: 35 anos da experiência dos médicos de família

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Consutórios de médicos de família em lugares de difícil acesso. |Foto: Jorge Oller

27/12/2018

 

Programa Médico de Família foi criado por iniciativa de Fidel Castro, em 1984.

Por Marta Rojas, do Iela

Quase 35 anos passaram desde a criação do programa do médico de família –conhecido no princípio como “o médico das 120 famílias” –, criado pela iniciativa de Fidel e iniciado no bairro de Lawton em 1984, sendo naqueles dias uma instituição experimental, que mais tarde veio a cobrir todo o país.

Esse foi uma dos fatos mais transcedentais e é o antecedente das brigadas médicas cubanas que já prestaram e ainda prestam serviços em lugares muito distantes na ilha de Cuba, inclusive em condições de extremo perigo diante dos embates da natureza. 

Andar por terrenos difíceis, em sua maioria montanhosos, onde deveriam exercer sua profissão, foi uma prática sui generis entre os jovens recém graduados que formaram parte da nobre instituição do médico da família na Sierra Maestra; o próprio Fidel indicou a localização, no início, nos territórios das províncias de Santiago de Cuba e Granma, aqueles com mais difícil acesso geograficamente. 

Vale recordar, e mais ainda agora, desses pioneiros, quando se reconhece o valor excepcional dos médicos que acabam de regressar do Brasil depois de realizarem verdadeiras façanhas humanas em lugares excepcionalmente complexos. Eles tiveram uma semente: os médicos de família da Sierra Maestra.

Em um prólogo do escritor cubano Lisandro Otero, a propósito do surgimento desta modalidade assistencial em Sierra Maestra, o grande repórter e novelista, prêmio nacional de Literatura, já falecido, escreveu: «…foi Hipócrates quem em seu juramento de honra condicionou a prática da arte da Medicina ao benefício dos pacientes. Em seu código ético ele sublinhava a obrigação do médico com a floração da vida (…). Quase dois mil e quinhentos anos depois pode-se ler em uma reportagem –se refere a uma sobre os médicos de família na Sierra Maestra– que este participa ativamente da vida da comunidade, desfruta de seus êxitos, sofre com as contradições… se converte no melhor amigo da familia…».

 

Essa alegria no internacionalismo é o que experimentam, como muitos já disseram, os médicos cubanos que regressam de missões em lugares longínquos e complexos.

Entre os que por primeira vez exerceram a profissão como médicos de família na Sierra Maestra, começando por Santiago de Cuba e Granma, muitos mais tarde formariam parte dos contingentes internacionalistas.

Vale mencionar, por exemplo, a doutora Margarita Pullés, uma das primeiras dos 28 que estrearam como médicos de família, no seu caso em San Antonio, município de Buey Arriba, Granma. Ela, como outros de seus companheiros, formou parte da primera brigada cubana que foi a Venezuela e exerceu durante três anos o seu trabalho em Maracaibo, Zulia.

O doutor Graciliano Díaz Bartolo, de igual maneira, foi em brigada para os Andes bolivianos, além de mais tarde fazer grande sua história, participando de tantas outras, como a do contingente que combateu o Ébola, na África.

Da doutora Pullés soubemos que se reintegrou, igual que Graciliano, ao seu dispensário, e que este sofreu os embates dos ciclones e outras contingências. Vivem hoje, tal como outros muitos pioneiros, modestamente, nas províncias onde nasceram e não apenas exercem sua profissão como também alcançaram importantes graus científicos. 

O doutor Graciliano Díaz Bartolo, por exemplo, foi um dos médicos santiagueiros que mais interessou, por seus trabalho específico, a um grupo de destacados cientistas estadunidenses que recentemente visitou a Cidade Heróica de Santiago de Cuba, para trocar informações com colegas do programa científico que desenvolve a revista Medic Review,  já com 20 anos de existência. Sua singular história como médico de família em zonas rurais, longe das províncias, de características geográficas bastante difíceis e completa solidão, foi considerada muito ilustrativa e surpreendente. 

Os médicos de família que iniciaram seu trabalho há mais de três décadas são um exemplo para o mundo. 

Cuba conta hoje com os seguintes serviços para uma população de mais de 11 milhões e 200 mil habitantes:

450 policlínicas

+ de 10.800 consultórios de médico e enfermeira de família

150 hospitais

12 institutos de investigação

2.500 farmácias

131 maternidades

287 casas de avós

150 asilos

13 universidades de Ciências Médicas, entre outras instituições

482.308 trabalhadores da Saúde no país

92.084 médicos, um por/122 habitantes

16. 675 gastroenterologista, um por/602 habitantes

85. 870 pessoal de enfermaria, um por/123 habitantes

59. 846 tecnólogos de saúde, um por/188 habitantes

Fuente: Anuário Estatístico de Saúde Pública

Tradução do espanhol: Elaine Tavares

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