Coluna | Reforma da Previdência aumentou pobreza e suicídios entre idosos no Chile

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Protesto de aposentados e pensionistas contra o sistema de Previdência chileno.

Foto: Claudio Reyes/AFP

15/12/2018

 

 

No Chile, aposentado recebe 60% do salário-mínimo, o que levou ao empobrecimento e taxa recorde de suicídios

 

 

Por Alexandre Padilha*

Diante das movimentações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), quero falar um pouco a respeito do impacto da Reforma da Previdência, mas com outro olhar.

Tenho ouvido de muitas pessoas, dos jovens sobretudo, trabalhadores da área da saúde e da educação, os meus alunos da universidade: “ah, a minha geração já não vai ter Previdência mesmo, então começo a fazer uma poupança agora e garanto um salário, um recurso para sobreviver”.

Garantir uma aposentadoria pública, uma previdência pública, não é apenas garantir recursos para serem recebidos quando um trabalhador, uma trabalhadora, se aposenta.

Como exemplo vou falar de dois impactos muito importantes que estão ocorrendo nos países que fizeram a reforma da Previdência.

Primeiro, a ausência total de cobertura previdenciária, que é quando a pessoa perde a capacidade de trabalho por motivo de doença, acidente, gravidez, prisão, morte ou idade avançada, portanto algum afastamento no trabalho que hoje é garantido pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A Reforma da Previdência propõe um esvaziamento do INSS, a redução de recursos para o INSS, reduz o acesso das pessoas a benefícios como esses: auxílio-doença, afastamento do trabalho por incapacidade, entre outros.

O segundo impacto negativo é o que foi observado recentemente em estudo feito no Chile sobre o grande aumento, o recorde de suicídios entre pessoas com 80 anos de idade, exatamente pelo empobrecimento dessa população. Metade dos pobres no Chile são idosos aposentados. As estimativas mostram que um aposentado no Chile recebe, em média, 60% do que corresponde o salário-mínimo daquele país.

A queda crescente do poder de renda no Chile levou a uma taxa recorde de suicídios entre os idosos. A taxa de mortes por suicídios chegou a 17 por 100 mil habitantes, 70% superior à taxa média na América Latina.

Portanto, Reforma da Previdência não é só suprimir a garantia de um recurso, de um salário quando da aposentadoria. Reforma da Previdência significa impactos muito graves na vida de quem se aposenta, mas também deixar os trabalhadores sem qualquer proteção previdenciária ao longo de sua vida.

 

* Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

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