Coluna | Fim da exaltação do Bolsonarismo

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Foto: Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas

7/12/2018

 

 

Os fogos de artifícios que foram soltados pelos detratores do Mais Médicos já foram em parte recolhidos e o discurso já indica menos exaltação

 

 

Por Alexandre Padilha*

Essa semana o novo edital do Programa Mais Médicos, comemorado pela Joice Hasselmann, entrou na UTI de vez. Fracasso total da aposta da extrema direita, daqueles que eram detratores do Programa e desqualificaram o compromisso e a qualidade dos médicos e médicas cubanos. Só não dá pra comemorar porque, infelizmente, vai significar a falta de atendimento de saúde a milhões de brasileiros.

 

É muito triste o que estamos vivendo, o povo brasileiro que mais precisa, a população indígena, a população que vive nas periferias das grandes cidades, ficarão sem o profissional médico. Isso é uma demonstração clara, como eu já havia dito, de que várias das atitudes tomadas pelo presidente eleito, e de quem sair em sua defesa nessa destruição em relação ao Mais Médicos, em parte é uma atitude de quem ignorava o conjunto das medidas que já tinham sido adotadas em nossos governos, na nossa condução do Ministério da Saúde, para buscar alternativas para garantir o profissional médico nas áreas mais vulneráveis de nosso país. Não foi à toa que trouxemos os médicos de Cuba, por meio da cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). O Brasil está perdendo em quantidade e, sobretudo, em qualidade.

Estamos perdendo uma forte parceria com a Opas e mais de 8 mil médicos cubanos especialistas em Medicina da Família e Comunidade. É muito triste o que está acontecendo.

Os fogos de artifícios que foram soltados pelos detratores do Mais Médicos já foram em parte recolhidos e o discurso já indica menos exaltação. Eu não vi mais algumas lideranças do Bolsonarismo soltando rojões com relação ao Programa. O senso de realidade, aparentemente, apareceu.

Os sinais das inciativas do governo eleito parecem ser no sentido de continuar fazendo enfrentamentos políticos e ideológicos, e menos a preocupação de construir alternativas reais para os problemas de nosso país. Um dos indícios foi a escolha para a coordenação do Mais Médicos de uma das líderes daquele corredor da xenofobia, em 2013, no Aeroporto de Fortaleza. Espero que a doutora que assuma essa administração deixe de ser só uma líder que vaia médico cubano negro e seja uma gestora preocupada em arrumar médicos para o povo que mais precisa no Brasil.

 

* Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

 

 

Edição: Cecília Figueiredo

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