O governo Bolsonaro e o futuro da saúde no Brasil

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Cartaz de aviso no Centro de Saúde do Jardim Rossin, em Campinas

Foto: Conselho de Saúde de Campinas/Divulgação 

22/11/2018

 

 

Discurso anti-PT não irá resolver nenhum dos problemas reais da saúde, principalmente em tempos de congelamento de recursos

 

 

Por Alexandre Padilha*

Mais uma vez usarei minha coluna semanal para falar sobre o Mais Médicos, até porque diariamente o presidente Bolsonaro e sua equipe fazem ataques ao programa, e agora temos um ministro da Saúde indicado, então já podemos confirmar o que pode ser o próximo governo em relação à área da saúde.

Em primeiro lugar, acho que eles querem, de fato, criar inimigos externos no Brasil para tirar o foco dos problemas internos. A tentativa de uma matéria do jornal Folha de S. Paulo em tratar que existiram negociações secretas entre Brasil e Cuba, por telegramas, durante anos, para a criação do programa. Típico de um roteiro do Maxwell Smart no Agente 86 ou do 007 do James Bond, no período da Gerra Fria.

Segundo, eu torço para que o futuro ministro da saúde tenha muita sorte e competência em sua gestão. Mas, acredito que, infelizmente, sua primeira entrevista foi dada por alguém que ainda não encerrou o período eleitoral. Ele tem que saber que o discurso anti-PT não irá resolver nenhum dos problemas concretos e reais da saúde, principalmente, em tempos de congelamento de recursos por 20 anos, com a nova política de Atenção Básica feita pelo Temer, que quase destrói avanços importantes dos agentes comunitários de saúde e das equipes de Estratégia Saúde da Família, da revisão da política de saúde mental, que voltou a priorizar as internações hospitalares nos antigos manicômios.

Espero que o novo ministro, ao assumir, deixe de ser deputado, com esse discurso anti-PT, e passe a tratar os problemas reais da saúde do povo brasileiro.

 

* Alexandre Padilha é médico infectologista, sanitarista, professor universitário e deputado federal eleito (PT-SP). Foi ministro de Assuntos Institucionais do governo Lula, ministro da Saúde do governo Dilma e secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

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