Manifesto de entidades médicas na indicação de ministro da Saúde gera repúdio

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Foto: Instituto Lula

16/11/2018

Rede e Médicos pela Democracia veem ansiedade e divisão na corporação médica

 

Por Redação*

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMMP) e o coletivo Médicos pela Democracia (MD) lançaram nota repudiando o manifesto assinado por dirigentes de dezenas de entidades médicas que declaram apoio ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e indicam o nome do médico Lincoln Lopes Ferreira para o ministério da Saúde.

“É com grande consternação que a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e o Médicos pela Democracia vem a público manifestar o seu repúdio a uma carta que está circulando nas redes sociais, supostamente em nome do conjunto dos médicos brasileiros, em defesa da indicação do presidente da AMB, Lincoln Lopes Ferreira, para o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro”, frisa a nota da RNMMP e MD.

“É curioso”, diz a nota da Rede, “que em muitas dessas entidades, tal debate foi sequer colocado no interior de suas diretorias”.  Os médicos denunciam ainda que não consta a assinatura de profissionais vinculados a altos postos do Conselho Federal de Medicina (CFM). “O que indica uma divisão na corporação médica, tendo uma parte articulado-se diretamente com Bolsonaro na indicação do deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-GO), investigado por tráfico de influência e fraude, para o Ministério da Saúde, dando sustentação ao loteamento de cargos no governo. Também é sabido que outros nomes estão sendo sondados, a depender do grau de desgaste do postulante, como o de Henrique Prata, Nelson Teich e David Uip”, detalha.

De acordo com os signatários do documento de entidades representantes de especialidades médicas, o nome do presidente da AMB teria perfil próximo ao dos demais ministros já anunciados para a formação do novo ministério “acompanhada”, segundo o manifesto, “com grande empolgação”.

“Nomes como o do juiz Sérgio Moro, do economista Paulo Guedes e do astronauta Marcos Pontes ratificam o compromisso com escolhas técnicas para comandar as pastas, sem loteamento político e influência partidária, e, principalmente, todos com ficha limpa e que não estejam sendo investigados”, afirma o manifesto.

Na nota de repúdio, os médicos mencionam o apoio do futuro presidente à Emenda Constitucional 95 e suas consequências. Também salientam que a AMB “historicamente teve uma postura de aliança com o setor privado contra a universalização do direito à saúde e à implementação e consolidação do SUS”.

Portanto, “tal manifesto visa a manutenção dos privilégios das sociedades de especialidades, verdadeiras ‘corporações de ofício medievais’, que operam no sentido da reserva de mercado e do subjugamento das demais frações da categoria médica, das demais profissões da saúde – algo completamente distante de um ‘governo de união nacional’.

Nota de repúdio ao manifesto de entidades médicas na indicação de futuro ministro da saúde de Bolsonaro

É com grande consternação que a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e o Médicos pela Democracia vem a público manifestar o seu repúdio a uma carta que está circulando nas redes sociais, supostamente em nome do conjunto dos médicos brasileiros, em defesa da indicação do presidente da AMB, Lincoln Lopes Ferreira, para o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro.

O manifesto é assinado por presidentes de sociedades de especialidades médicas, FENAM, FNM e AMB, as quais se mostram esperançosas em resolução por parte do governo Bolsonaro dos males que afligem a saúde.
É curioso que em muitas dessas entidades, tal debate foi sequer colocado no interior de suas diretorias. Além disso, notar que não consta a assinatura de médicos vinculados a altos postos do Conselho Federal de Medicina (CFM), o que indica uma divisão na corporação médica, tendo uma parte articulado-se diretamente com Bolsonaro na indicação do deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-GO), investigado por tráfico de influência e fraude, para o Ministério da Saúde, dando sustentação ao loteamento de cargos no governo. Também é sabido que outros nomes estão sendo sondados, a depender do grau de desgaste do postulante, como o de Henrique Prata, Nelson Teich, e David Uip.

Bolsonaro é sabidamente defensor da EC 95 que congela durante 20 anos os investimentos nas áreas sociais, incluída aí a saúde. É aliado de Michel Temer, em qual governo deteriorou as condições de vida da população com aumento do desemprego, da carestia e da mortalidade infantil. É apoiador da reforma trabalhista e da previdência, medidas que prejudicam o conjunto da classe trabalhadora, incluído aí nós médicos. Não se trata de música para nossos ouvidos, mas de uma perversidade sem limites contra os direitos do Povo Brasileiro.

A Associação Médica Brasileira (AMB) historicamente teve uma postura de aliança com o setor privado contra a universalização do direito à saúde e à implementação e consolidação do SUS. Fez coro com o empresariado durante a Assembleia Nacional Constituinte na Comissão Nacional de Reforma Sanitária. A atual gestão, “AMB sem partido”, assumiu a entidade num processo eleitoral turbulento e judicializado e possui como agenda a desregulamentação do setor privado da saúde, verdadeiro “negócio da China” em que planos de saúde, hospitais privados e indústria farmacêutica nadam de braçada; fim do Programa Mais Médicos para o Brasil, o qual vem sendo paulatinamente desmontado por michel Temer; e o cadastro universal de médicos.

Com isso, tal manifesto visa a manutenção dos privilégios das sociedades de especialidades, verdadeiras “corporações de ofício medievais” que operam no sentido da reserva de mercado e do subjugamento das demais frações da categoria médica, das demais profissões da saúde – algo completamente distante de um “governo de união nacional”. Representa também o desprezo pelas demandas populares e pelo Sistema Único de Saúde, o qual não é citado uma única vez no texto. Demonstra interesses mesquinhos de parte da corporação médica em sua ansiedade na disputa de quem irá operar o projeto liberal-privatista na saúde do país.

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares
Médicos pela Democracia

 

Carta dos médicos brasileiros ao presidente eleito Jair Bolsonaro

 

Edição: Cecília Figueiredo (Colaborou Diego Sartorato)

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Um comentário sobre “Manifesto de entidades médicas na indicação de ministro da Saúde gera repúdio

  1. Quem achou q seria diferente?!!!!
    Mas o q importa eh acabar c o PT, nao eh msm?
    Estamos pior q em 1968
    Triste!!!

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