Brasileiros agradecem o cuidado de médicos cubanos

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Homenagem no Aeroporto do Galeão (RJ), nesta segunda-feira (26)

Foto: Alisson Sampaio

26/11/2018

 

“Vocês deixaram uma marca na vida de cada brasileiro e brasileira”, diz o manifesto

 

 

Por Redação*

Profissionais de saúde, que integram a Rede de Médicas e Médicos Populares e representantes de movimentos sociais, estão realizando homenagens para agradecer o trabalho desenvolvido pelos médicos cubanos no Mais Médicos do Brasil.

Pelo menos 285 cidades e 36 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) ficaram sem médicos em equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), com a saída de profissionais cubanos. O levantamento foi realizado pelo Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O governo cubano anunciou, no último dia 14, sua retirada do Programa Mais Médicos e a ruptura do convênio com o governo brasileiro. A decisão veio logo após declarações “ameaçadoras e depreciativas” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Os profissionais cubanos foram orientados pelo governo cubano a cessarem suas atividades em 20 de novembro, para organizar a saída por quatro polos de retorno: Brasília, Manaus, Salvador e São Paulo. O primeiro grupo partiu da capital federal rumo a Havana em 22 de novembro. A previsão é que até o dia 12 de dezembro todos tenham regressado à Ilha.

São Paulo | Os voos dos profissionais que trabalharam no estado de São Paulo começaram no último sábado e seguem ainda nesta segunda-feira (26). Mais de 1400 médicos e médicas trabalharam pelo programa no estado de São Paulo.

Rio de Janeiro | Na manhã desta segunda-feira (26), a Rede fez um ato de agradecimento aos profissionais que estão deixando o estado, que vive uma severa crise na Atenção Primária, com corte de verbas, redução de equipes e ameaças de demissão.

Assim como em São Paulo, no final da tarde desta segunda (26), um segundo grupo de médicos embarcará do Rio de Janeiro para Cuba.

O Mais Médicos teve 220 profissionais cubanos atuando nos serviços de saúde do estado do Rio de Janeiro.

Pela manhã, um grupo de profissionais que embarcava para Cuba recebeu uma placa da Comissão da Coordenação Estadual do Programa Mais Médicos para o Brasil e do governo do Rio de Janeiro, em agradecimento ao trabalho. Também foi lido um manifesto assinado pela Associação Cultural José Martí do Rio de Janeiro (ACJM-RJ), Levante Popular da Juventude, Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, Sindicato dos trabalhadores da fiocruz (Asfoc SN), Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba e Comitê Internacional Paz Justiça e Dignidade aos Povos – Capítulo Brasil.

“Não tenham dúvidas que as pessoas que vocês cuidaram e cativaram reconhecem toda a dedicação de vocês, por mais que as elites tentem negar isto. Como diria Dom Quixote: ‘se os cães ladram, é sinal que avançamos’. E como essa burguesia ladrou. Definitivamente, vocês deixaram uma marca na vida de cada brasileiro e brasileira que conheceram vocês e entraram para a história pelo maior ato de solidariedade que o nosso povo já recebeu”, diz um dos trechos do manifesto, lido por vários ativistas e militantes de movimentos sociais.

Participação no SUS

Dos mais de 3.600 municípios atendidos pelo programa Mais Médicos, mais de 700 contaram pela primeira vez na história com a presença de um profissional da medicina acolhendo seus problemas de saúde, oferecendo tratamento.

Durante os cinco anos de duração do convênio entre Cuba e o Brasil, por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), para o provimento de médicos em vilarejos mais distantes e periferias do Brasil, mais de 20 mil profissionais cubanos chegaram para trabalhar no país. Segundo o governo, 76,3% deles são mulheres; dos 8.471 que vinham trabalhando atualmente no Brasil, a proporção é de 66,2%.

 

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