Eleições 2018: Mulheres da Fiocruz de todo o Brasil se manifestam em defesa da democracia

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Trabalhadoras da Fiocruz na escadaria do Castelo de Manguinhos (RJ)

Foto: Peter Ilicciev

“Somos vozes da resistência”, afirma o manifesto do movimento de mulheres da Fiocruz

 

Por Redação*

Trabalhadoras das unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de todo o Brasil se reuniram para manifestar a defesa da equidade, justiça social, democracia, da democracia e do Sistema Único de Saúde (SUS). As mulheres da Fiocruz decidiram realizar a manifestação neste mês de outubro, quando a Constituição e o SUS completam 30 anos. No site há uma galeria de fotos das manifestações realizadas pelas trabalhadoras de diversas unidades da Fiocruz.

Elas também assinam o “Manifesto das mulheres da Fiocruz pela democracia”. No documento, as profissionais falam sobre os ganhos obtidos com a criação do sistema público e as conquistas democráticas asseguradas pela Constituição Federal, a necessidade sobre o fortalecimento da política pública de saúde e alertam sobre o risco que corre o Estado Democrático de Direito.

“O momento é de defesa dos princípios democráticos regidos pela Constituição e pelo SUS. Desejamos contribuir para um país mais justo e equânime e, para isso, precisamos não apenas de uma ciência mais feminista, mas de uma sociedade mais feminista. Trata-se de uma mudança de perspectiva, que somente será possível pelo fortalecimento e pela defesa do Estado Democrático de Direito. Os enfrentamentos vividos diariamente pelas mulheres brasileiras, estejam elas marcados pelo preconceito, pela violência doméstica, pelas diferenças salariais ou pelas vulnerabilidades sociais, devem ser combatidos de forma ampla pela sociedade e por seus governantes”, ressalta um dos trechos do manifesto.

De acordo com o movimento de mulheres da Fiocruz, que entende como fundamental o estímulo da democracia às futuras gerações, a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada brutalmente este ano, segue como inspiração. “Somos, assim como ela, vozes da resistência”, destaca o texto.

Confira abaixo a íntegra do documento:

Manifesto das mulheres da Fiocruz pela democracia

Nós, mulheres da Fiocruz, correspondemos a 52% da força de trabalho dessa instituição. Somos muitas e todas. Somos estudantes, pesquisadoras, técnicas, jovens, adultas, brancas, negras, pardas, hétero, lésbicas, trans. Pela primeira vez nessa instituição centenária, temos uma mulher na Presidência. Ocupamos um lugar de resistência na ciência e na sociedade, e gostaríamos de nos manifestar publicamente sobre a importância do tempo histórico que temos vivido na luta pelos direitos humanos, pelo Sistema Único de Saúde e pela democracia.

Em outubro, a Constituição brasileira completa 30 anos. Com ela nasceu também o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde passou a ser assegurada como um direito de todos e dever do Estado. Há 30 anos o país escolheu a vida, as liberdades individuais, a recusa ao racismo e o reconhecimento da humanidade de todas as pessoas, o fortalecimento dos direitos sociais como fundamento do bem-viver, o direito à dignidade daqueles que trabalham protegidos por direitos trabalhistas.

O momento, no entanto, é de defesa dos princípios democráticos regidos pela Constituição e pelo SUS. Desejamos contribuir para um país mais justo e equânime e, para isso, precisamos não apenas de uma ciência mais feminista, mas de uma sociedade mais feminista. Trata-se de uma mudança de perspectiva, que somente será possível pelo fortalecimento e pela defesa do Estado Democrático de Direito. Os enfrentamentos vividos diariamente pelas mulheres brasileiras, estejam eles marcados pelo preconceito, pela violência doméstica, pelas diferenças salariais ou pelas vulnerabilidades sociais, devem ser combatidos de forma ampla pela sociedade e por seus governantes.

O movimento de mulheres da Fiocruz entende que é necessário contribuir para um diálogo mais amplo com a sociedade sobre a necessidade de uma luta pela equidade de gênero e pelos direitos humanos, com estímulo às novas gerações e à formação de redes.

Entendemos ainda que é necessária a formulação de um novo padrão de desenvolvimento no país que incorpore o bem-estar, a ciência, tecnologia e inovação, o acesso universal e equânime à saúde, à educação e à informação, contemplando o fortalecimento da democracia e a capacidade do Estado de conceber e implementar políticas públicas destinadas a promover o interesse nacional.

Defendemos o fortalecimento do SUS a partir de um conceito amplo de saúde: a saúde como direito que deve orientar tanto as atividades assistenciais, a promoção da saúde e a atuação sobre os determinantes sociais em saúde, quanto à formulação de políticas para a pesquisa e desenvolvimento tecnológico do nosso país.

Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro assassinada brutalmente este ano, segue como exemplo e inspiração para todas nós. Somos, assim como ela, “feministas históricas que agradecem às vozes que ocupam o lugar da resistência, desse lugar onde as mulheres são vítimas de estupro, da violência e precisam sim pensar numa nova sociedade” (Marielle Franco em aula inaugural na Fiocruz, janeiro de 2018). Somos vozes da resistência.

 

* Com informações da Agência Fiocruz de Notícias

 

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