CRM-MS não se manifesta em caso de médica que associava alta de pacientes a voto

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“Perguntar pro paciente em quem vai votar antes da alta. Dependendo da resposta, alta só segunda!! #B17”, dizia a publicação fotografada e compartilhada por internautas

Fotos: Reprodução Facebook

30/10/2018

 

 

 

Conduta da médica do Mato Grosso do Sul está sendo apurada; suspeita excluiu perfil do Facebook

 

Por Redação*

A Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) de Campo Grande disse que está apurando o envolvimento de uma médica da rede pública de saúde que, no último domingo (28), teria postado em seu perfil do Facebook o condicionamento de altas médicas a seus pacientes ao voto para presidente em Jair Bolsonaro (PSL). “Hoje é dia de maldade. Perguntar pro paciente em quem vai votar antes da alta. Dependendo da resposta, alta só segunda!! #B17 É dessa vitamina que o povo brasileiro precisa!”, dizia a publicação.

Apesar de ter excluído seu perfil, várias pessoas fizeram a captura de tela do texto de Beatriz Padovan Vilela, a médica autora da postagem.

Ainda na manhã do domingo, uma postagem denunciando a atitude da médica no Twitter gerou 2 mil curtidas e cerca de 1,1 mil compartilhamentos.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) de Campo Grande disse que “não concorda e não corrobora com opiniões, seja de conotação política ou não, que contrariem os códigos éticos profissionais. No entanto, afirmou que “não há nenhuma restrição sobre o livre pensamento, considerando a liberdade individual dos servidores nas suas relações privadas, especialmente no uso de perfis pessoais nas redes sociais, sendo os mesmos responsáveis por responder cível e criminalmente pelos seus atos”.

A pasta orientou a denúncia do caso ao Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso do Sul, que “pode proceder na abertura de sindicâncias e processos disciplinares”.

A assessoria de imprensa do CRM-MS, até o fechamento desta matéria, não respondeu ao questionamento da reportagem sobre as providências que irá adotar.

Confira a nota da Sesau de Campo Grande:

“A SESAU não concorda e não corrobora com opiniões, seja de conotação política ou não, que contrariem os códigos éticos profissionais, neste caso o da medicina, uma vez que o mesmo reforça que o profissional jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade.

Por outro lado, é importante lembrar que não há nenhuma restrição sobre o livre pensamento, sendo o mesmo assegurado legalmente, considerando a liberdade individual dos servidores nas suas relações privadas, especialmente no uso de perfis pessoais nas redes sociais, sendo os mesmos responsáveis por responder cível e criminalmente pelos seus atos.

A formalização de eventual denúncia seja coletiva ou individual em razão da manifestação da profissional também deve ser feita ao Conselho Regional de Medicina que pode proceder na abertura de sindicâncias e processos disciplinares.

Por fim, o caso também deverá ser apurado pela SESAU”.

 

Edição: Cecília Figueiredo

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