Repórter SUS | Campanha Setembro Amarelo

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Equipes da Atenção Básica são preparadas para acolher quem está em depressão, segundo psicóloga.

Foto: EBC

17/09/2018

 

Onde há Centro de Atenção Psicossocial (Caps) o número de tentativas e incidência de suicídio caiu, diz especialista

 

 

Por Maíra Mathias, para Brasil de Fato (RJ)

Setembro é o mês dedicado à prevenção do suicídio. Diversas organizações e o próprio Sistema Único de Saúde (SUS) realizam a campanha Setembro Amarelo, para sensibilizar a sociedade sobre o tema.

No Repórter SUS de hoje, produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a psicóloga Karen Athie, da Rede Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e do Movimento Global pela Saúde Mental, explica que as estruturas do SUS, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), são fundamentais para garantir um tratamento adequado. Ela também orienta como cada um de nós pode ajudar a prevenir o suicídio.

Confira trechos da entrevista:

Pensando na população que tem o maior risco, que são as pessoas com depressão, vítimas de violência crônica, estresse importante, bulling, uma dor física, o Ministério da Saúde faz algumas recomendações para a gente entender o que pode e o que não pode fazer.

Em primeiro lugar, não desqualificar o sentimento de alguém que diz pensar em se matar. Às vezes pode ser difícil lidar com isso e, caso isso ocorra, deve-se pedir ajuda a alguém que possa ouvir essa pessoa. É sempre importante falar disso [suicídio]. Não [se deve] dizer que isso vai passar ou desqualificar [o sofrimento da pessoa], [dizer] que as coisas vão melhorar. Simplesmente porque a gente percebe que é preciso [proporcionar] um espaço de escuta, que [a pessoa] precisa ser ouvida por alguém que possa ajudar de fato e que tenha uma relação de confiança. Conversar é o que a gente pode fazer.

A gente também pode retirar os objetos que possam ser usados nessa tentativa, como os [objetos] perfurocortantes, medicação, [corda] na tentativa de enforcamento. Retirar [esses objetos] do cenário e procurar ajuda. Procurar ajuda, no [Sistema Único de Saúde] SUS, de um médico, de um psicólogo.

É importante lembrar que o SUS tem um recurso chamado Centro de Atenção Psicossocial [Caps] e uma rede de cuidados que pode ser acessada também para a escuta qualificada do sofrimento emocional. Os Caps são um recurso importante e a gente percebeu, pelos dados que foram levantados pelo Ministério da Saúde, que onde tem Caps o número de tentativas e de incidência [de suicídios] reduziu.

Caso [a pessoa em sofrimento] não tenha acesso a um serviço especializado, as pessoas podem e devem procurar os serviços básicos de saúde. As equipe de Atenção Básica estão sendo treinadas para acolher esse tipo de situação.

Tem também um trabalho do ministério e em níveis locais para que as pessoas possam estar sensíveis ao acolhimento desse tipo de escuta. É muito importante que a pessoa procure a ajuda da unidade básica de saúde também, se não tiver acesso a outro recurso e as equipes são preparadas para acolher.

 

Edição: Cecília Figueiredo

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