ARTIGO | A grave aprovação do pacote do veneno

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Projeto, em tramitação na Câmara dos Deputados, autoriza a comercialização/registro/distribuição sem avaliação prévia dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente.

Imagem: Arquivo Saúde Popular

3/07/2018

 

Aumento de má-formações genéticas de crianças e vários tipos de câncer que estão relacionados ao uso dos defensivos agrícolas. O brasileiro ingere, em média, sete litros de veneno por ano

 

 

Por Alexandre Padilha*

Mais uma vez estou aqui para conversar com vocês sobre situações na área da saúde e, o que precisamos pontuar de forma mais grave, nas últimas semanas, foi a decisão de uma comissão da Câmara dos Deputados de aprovar o verdadeiro “Pacote do Veneno”.

É um projeto de lei que retira do Ministério da Saúde e do Meio Ambiente o rito de aprovação da comercialização e distribuição do registro de agrotóxicos no Brasil. Quando fui ministro da Saúde, por várias vezes, a indústria do agronegócio e dos agrotóxicos apresentavam interesse em distribuir esses produtos alegando que era uma situação emergencial, de uma praga especifica aqui no nosso país. Esses agrotóxicos já eram banidos na Europa e nos Estados Unidos por terem relação direta com alguns tipos de câncer.

Nós temos dados concretos no exterior, e também já no Brasil, da relação do uso de agrotóxicos com o aumento de má-formações genéticas de crianças, com vários tipos de câncer, seja de pele, hematológicos que agridem fortemente células importantes para a produção do sangue, cânceres do trato gastrointestinal.

Há cidades no nosso país onde a média de ingestão de veneno de agrotóxico, por ano e por habitantes, chega a ultrapassar 100 litros. O brasileiro, em média, ingere sete litros de veneno por ano. Em algumas cidades isso está muito mais elevado exatamente por estarem localizadas onde há uma alta concentração do agronegócio.

É muito grave que o Brasil passe a ter a autorização de comercialização/registro/distribuição de agrotóxicos sem uma avaliação prévia dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente. Conseguimos barrar inúmeras dessas tentativas no governo da presidenta Dilma – inclusive que o Congresso Nacional pudesse mudar as regras.

Infelizmente, o atual governo Temer e os parlamentares estão mais preocupados com o lucro de quem produz agrotóxico do que com a saúde da população, que vive próxima a áreas de produção agrícola e da população que os consome.

 

*Alexandre Padilha é médico infectologista, vice-presidente do PT, ex-ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff e secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad (2014-2016)

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