Repórter SUS | Os danos à saúde causados pelos combustíveis

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Pouco tem se comentado sobre os prejuízos à saúde que uma substância presente na gasolina

Imagem: Divulgação

06/05/2018

A gasolina contém benzeno, que é um composto comprovadamente cancerígeno para humanos

 

 

Por Redação Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

 

Muito tem se falado em combustível nos últimos dias. As filas nos postos, a dificuldade em se locomover na cidade, mas pouco tem se comentado sobre os prejuízos à saúde que uma substância presente na gasolina, chamada benzeno, pode causar. Os frentistas acabam sendo os mais afetados pela exposição ao benzeno, que, a longo prazo, pode ser responsável por doenças como o câncer. Este é o tema do Repórter SUS desta semana com a pesquisadora Ariane Leites Larentis do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).

DOENÇA CHAMADA BENZENISMO

A cadeia de produção do petróleo, que inclui petroquímicos, petroleiros do ramo químico e mecânico, passando inclusive por serviços como trabalhadores de postos de combustíveis, motoristas de automóveis à base de diesel, gasolina, até trabalhadores que manipulam solventes, está envolvida na exposição de substâncias tóxicas devido aos componentes destes produtos. A gasolina contém benzeno, que é um composto comprovadamente cancerígeno para humanos, podendo causar, por exemplo, alterações auditivas.

A exposição ao benzeno, por suas características toxicológicas levam a alterações neurológicas, como dores de cabeça, náuseas, irritação das mucosas respiratórias e oculares, danos no sistema nervoso, irritação do sistema nervoso central, irritação da pele. Esses sintomas são chamados de benzenismo.

COMPLICAÇÕES A LONGO PRAZO

A exposição crônica, que significa baixas concentrações por longos tempos, pode levar a alterações do sistema sanguíneo e na medula óssea, no sistema imunológico, alterações no DNA que podem levar a cânceres como a leucemia. O contato direto com esses combustíveis e com esses produtos caracteriza atividades de alto risco.

TRATAMENTO

Os trabalhadores que estão expostos pela própria natureza do trabalho, devem ser atendidos em centros especializados que são capacitados na identificação dessas doenças, é o caso dos CERESTs que fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS). Em qualquer unidade de saúde pública ou privada que o trabalhador chegue sendo exposto, deve ser encaminhado a atendimento especializado, para o CEREST, para  avaliação, identificação com o trabalho e, se necessário, o afastamento da atividade, pensando sempre no princípio da precaução.

COMO PREVENIR A DOENÇA

Esses trabalhadores devem ter um acompanhamento pelo sistema de saúde. Pelo menos um hemograma a cada seis meses. Além disso, é importante investir em atividades que minimizem esse risco, como por exemplo, o abastecimento no automático nos postos de combustível,  o que evita que o trabalhador no abastecimento manual aumente a exposição na bomba da gasolina por vaporização dela.

É importante sempre se pensar na prevenção dessas doenças através do acompanhamento desses trabalhadores, porque são doenças evitáveis. É importante frisar que essa exposição afeta a todos, independente da posição, da profissão, da diferença de classe, de gênero. E além desses trabalhadores expostos, na cadeia produtiva do petróleo, como os postos de combustíveis e refinarias, também existe uma exposição ambiental que expõe as populações no entorno.

 

Edição: Brasil de Fato RJ

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