Cinco anos do programa Mais Médicos: uma revolução no SUS

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O programa, que já contou com cerca de 14 mil médicos cubanos espalhados pelo país, hoje tem em torno de oito mil

 

 

Por Alexandre Padilha*, para Saúde Popular

 

No último final de semana estive em Limeira, no interior de São Paulo – estado mais desenvolvido economicamente do nosso país, e que, proporcionalmente, foi o que mais recebeu profissionais do Programa Mais Médicos.

Fiquei impressionado com o que ouvi da população. Após quase cinco anos do lançamento do programa, sobretudo com o cenário atual, de congelamento de recursos para a saúde, fechamento de serviços e descompromissos de vários governos municipais e estaduais, ouvi que se não fossem os médicos do programa, talvez todas as unidades de saúde da cidade estariam fechadas.

Ouvi a população nos assentamentos rurais do Movimento Sem Terra falando dos atendimentos médicos a essa população, do fato de chegarem a cada canto da cidade; que é o que ouvimos em todo país.

Infelizmente, o Mais Médicos foi esvaziado depois do golpe. Só para vocês terem ideia: o programa já contou com cerca de 14 mil médicos cubanos espalhados pelo país e hoje esse número chega a cerca de oito mil.

O governo federal tem uma postura de atrasar a reposição dos profissionais que deixaram o programa nos municípios. O mais grave é que dentro da programação do Mais Médicos, havia um compromisso e planejamento para que, a partir de 2019, todo médico, depois de formado, se quisesse fazer residência médica, uma parte dela aconteceria nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da periferia e regiões remotas, sob a supervisão das universidades.

Teríamos um grande aporte de profissionais para Atenção Básica de nosso país.

O atual governo não deu os passos finais para isso. Suspendeu esse planejamento, reduziu a formação de preceptores e o envolvimento das universidades, o que faz com que o programa sobreviva única e exclusivamente pela capacidade e compromisso dos médicos envolvidos e de secretários municipais de saúde, de não perderem esses profissionais no momento em que tanto se perde na área da saúde.

O Mais Médicos começou uma revolução no SUS, no sentido de fortalecer a atenção primária em saúde, com um cuidado integral, focado nas pessoas e baseado nas comunidades. Começou, mas é muito importante a continuidade deste programa e continuarmos a revolução, com outras mudanças nas redes integradas de saúde.

Como por exemplo na cidade de Uberlândia, no estado de Minas Gerais, que até hoje o SAMU não havia sido totalmente implantado, entre outras coisas, pelo não compromisso do governo federal em bancar o custeio e ampliação do programa.

Por isso, em cinco anos do Mais Médicos, devemos comemorar pela ousadia do programa e pelas mudanças que ele provocou, mas ficar preocupados e alertas pelo freio de mão puxado pelo atual governo federal, que quer, na verdade, menos médicos para o Brasil.

 

*Alexandre Padilha é médico infectologista, vice-presidente do PT, ex-ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff e secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad (2014-2016)

 

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