Quebra de patente abre caminho para produção do genérico

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O medicamento é usado para combater doença que dificulta o funcionamento de órgãos, causando dores crônicas, falta de ar, anemia.

Imagem: Arquivo Saúde Popular

20/04/2018

Decisão tomada ontem pelo Supremo Tribunal de Justiça abre caminho para produção de genérico e pode economizar milhões para o Sistema Único de Saúde

 

Por Maíra Mathias do Outra Saúde

 

A patente do medicamento Soliris foi quebrada ontem pelo Superior Tribunal de Justiça. O pedido partiu da Advocacia Geral da União, que defendeu que a patente já havia expirado. O medicamento é usado para combater a hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), doença que destrói os glóbulos vermelhos do sangue, dificultando o funcionamento de vários órgãos e causando dores crônicas, falta de ar, anemia, coágulos sanguíneos e escurecimento da urina. O remédio não é vendido na farmácia. Pudera: cada unidade estava na casa dos R$ 21,7 mil até meados do ano passado. Em 2016, o SUS gastou R$ 613 milhões para atender 442 pacientes com HPN. Agora, o caminho para a produção de um medicamento genérico está aberto.

Causas desconhecidas

Reportagem do El País toca no delicado tema das mortes por causas desconhecidas a partir de um ângulo inusitado: o trabalho de um grupo de pesquisadores legistas. A OMS calcula que 5,6 milhões de crianças morram anualmente antes de completar cinco anos, sobretudo na África e no sul da Ásia. E menos de 3% dos casos são certificados por um médico. “A verdade é que não temos nem ideia de por que morre a maior parte das pessoas nos países mais pobres”, diz o pediatra espanhol Quique Bassat, aos repórteres Manuel Ansede e Pau Sanclemente, em uma vila rural de Moçambique. O país, junto com África do Sul, Bangladesh, Quênia, Etiópia e Mali, é alvo dos pesquisadores que desenvolveram uma autópsia minimamente invasiva que consegue até 89% de concordância com autópsias completas. O projeto é financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates.

Gripe

Começa na segunda (23) a campanha nacional de vacinação contra a gripe. Este ano, a meta é vacinar 54,4 milhões de pessoas que integram os grupos prioritários. São eles: pessoas a partir de 60 anos, crianças de seis meses aos menores de cinco anos, trabalhadores de saúde, professores, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade – o que inclui adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas – e os funcionários do sistema prisional. A imunização acontece até 1º de junho.

OMS se posiciona

A Organização Mundial da Saúde disse ontem que a vacina contra a dengue produzida pela empresa Sanofi só deve ser utilizada após teste com os indivíduos para determinar se eles foram expostos à infecção anteriormente. Após uma reunião de dois dias em Genebra, especialistas da OMS recomendaram medidas adicionais de segurança para a medicação, vendida como Dengvaxia. “Nós agora temos informações claras de que a vacina precisa ser tratada de maneira mais segura, sendo utilizada exclusivamente em pessoas já infectadas”, declarou Alejandro Cravioto, chefe do Grupo de Especialistas em Aconselhamento Estratégico sobre imunização do organismo.

Fronteira do conhecimento

Olhar bem de perto como o corpo humano funciona impulsionou gerações ao longo dos séculos. Pois agora é pra valer. Grupo de cientistas coordenado por um ganhador do Nobel de Química obteve imagens em 3D de sistemas vivos em movimento. Combinando duas técnicas que renderam o prêmio a Eric Betzig – a microscopia de lâmina de luz treliçada e a óptica adaptativa – os pesquisadores conseguiram imagens de alta definição de células de câncer se espalhando, circuitos nervo-espinhais se conectando e células imunológicas atravessando órgãos. O estudo foi publicado ontem na Science.

Brasileira ganha prêmio

A pesquisadora Patrícia Brasil, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, venceu o prêmio científico Christophe Mérieux 2018 por sua pesquisa sobre a história natural da infecção por zika durante a gestação. É a primeira vez que um cientista brasileiro é escolhido. A premiação, criada em 2007, apóia a pesquisa de doenças infecciosas em países em desenvolvimento. A cientista é chefe do Laboratório de Doenças Febris Agudas do Instituto, vinculado à Fiocruz.

Sim ao Canabidiol

Um painel de especialistas da FDA, a agência de vigilância dos Estados Unidos, votou por unanimidade pela aprovação de um medicamento contra epilepsia à base do canabidiol, ingrediente encontrado na maconha. Caso a FDA acate a recomendação, será a primeira vez que um remédio do tipo estará disponível no país.

Acrilamida

Você já ouviu falar dessa substância? Ela surge quando alguns alimentos, como café, pão e biscoitos, são torrados, grelhados ou fritos em altas temperaturas. E pode causar câncer, segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre a doença (IARC). A reportagem de Mariana Alvim, da BBC Brasil, foca em como o país lida com a acrilamida. E segundo a Anvisa, não há regulação ou estudos que monitoram a presença da substância em alimentos vendidos no país. Já a União Europeia e os Estados Unidos agem nesse sentido e têm, inclusive, guias para setores da indústria alimentícia recomendando a redução do composto.

Violência no trânsito

As mortes de ciclistas em acidentes de trânsito aumentaram 17,8% no estado de São Paulo no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2017, passando de 73 para 86 ocorrências. O governo disse à Agência Brasil que a causa disso seria a ampliação no número de ciclistas. “Todos os dados internacionais, mesmo dados do município de São Paulo e várias outras cidades do Brasil, demonstram que a relação é exatamente inversa: a medida em que se aumenta o número de ciclistas, você diminui o número de mortes”, rebateu Aline Cavalcante, diretora da Associação dos Ciclistas Urbanos da capital paulista.

Multa pelo amianto

A Justiça Federal condenou a mineradora Sama e a multinacional Saint-Gobain a pagarem R$ 31,4 milhões por danos morais coletivos. A Sama explorou amianto no município de Bom Jesus da Serra, na Bahia, entre 1940 e 1968. No encerramento das atividades de extração não adotou medidas para mitigação dos efeitos do amianto, deixando resíduos que afetaram a saúde da população do entorno.

“A existência de feitos relacionados à exposição da população local ao amianto é agravada pela existência do risco de fibras de amianto suspensas no ar e pela utilização dos blocos de rejeito pelas famílias dos trabalhadores nas suas residências e como ornamentos de decoração, além de seu transporte para outras áreas sem qualquer controle, sobretudo pela desinformação decorrente do alto grau de analfabetismo daquela região”, afirmam os ministérios públicos Federal e Estadual da Bahia, autores da ação.

A multa será revertida em projetos culturais, sociais e ambientais para Bom Jesus da Serra e a área da antiga mineradora será, finalmente, isolada com cercas de arame farpado.

Sem show do Ronald

A Defensoria Pública de São Paulo ganhou ação contra o McDonald’s na semana passada. A Justiça condenou a empresa a cessar a prática de publicidade infantil em ambiente escolar por meio do ‘Show do Ronald McDonald’. Sob o argumento de levar conteúdo educativo aos estudantes, os defensores mostraram que a empresa estava expondo crianças à prática de marketing. “É importante destacar que a figura do palhaço símbolo da marca é alusiva a produtos alimentícios pobres em nutrientes e altamente artificiais, podendo, a longo prazo, causar inúmeros malefícios à saúde”, diz a ação. Agora, se a rede de lanchonetes fizer o show em qualquer creche ou escola do estado será multada em R$ 100 mil.

Reeleito

Manoel Neri foi reeleito presidente do Conselho Federal de Enfermagem. A posse da diretoria que vai comandar a gestão até 2021 foi ontem em Brasília.

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