Médicos do Rio desrespeitam lei que garante presença de doulas durante o parto

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Cumpra-se: mulheres protestaram contra desrespeito à lei que garante doulas no trabalho de parto
Imagem: Reprodução
16/04/18

Mães, gestantes e doulas realizaram protesto no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, que proibiu a entrada da profissional que acompanharia o trabalho de parto

Por Redação, da Rede Brasil Atual

A lei estadual que garante a presença de doulas durante o parto não vem sendo cumprida na cidade do Rio de Janeiro, em pelo menos seis hospitais públicos e privados que foram denunciados. O desrespeito ocorre desde que o prefeito Marcelo Crivella (PRB), cedendo a pressões da classe médica, permitiu que as unidades de saúde decidissem autonomamente em relação ao tema.

Na última terça-feira (10), doulas, mães e gestantes realizaram protesto no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, que já foi referência em parto humanizado, e agora registrou caso em que uma doula foi proibida de acompanhar o trabalho de parto. O presidente da Comissão Especial para Acompanhar o Cumprimento das Leis da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Carlos Minc (PSB), também esteve presente.

As doulas são profissionais especializadas em acompanhar a gestação com objetivo de auxiliar no desenvolvimento saudável do bebê e dão suporte físico e emocional à gestante no momento do parto. A prática das doulas, inclusive, estimula a realização de partos normais e reduz o número de cesarianas.

A estudante Jéssica Venturine conta que, no parto de sua filha, realizado no hospital de Acari, o médico autorizou apenas a entrada do pai, e a doula Juliana Cândido, que acompanhou toda a gravidez, teve de ficar de fora.

“Não queriam deixar que ela entrasse, porque se ela entrasse ele teria que sair. Mas não é o que diz a lei”, diz a mãe da pequena Beatriz à repórter Carmen Celia, para o Seu Jornal, da TVT. “Ela sabia que eu estaria com ela naquele momento, e ficou mais fragilizada ainda, por ter o seu direito negado”, ressalta a doula.

“Sempre há uma desculpa. A última é essa. Mesmo tendo lei que garante o acompanhamento das mulheres por doulas, que garante o direito a um plano individual de parto e ao parto humanizado, ainda assim esses direitos são negados, porque objetivamente não fazem parte das prioridades ou prerrogativas da gestão pública”, denunciou a a presidenta da Associação de Doulas do Rio de Janeiro, Morgana Eleine.

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