“Vamos reconstruir políticas e produzir alimentos saudáveis para todos”, diz João Pedro Stédile

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João Pedro Stédile serve arroz carreteiro para o vereador Eduardo Suplicy

Imagem: Reprodução/Facebook Eduardo Suplicy

22/08/2017

Enquanto servia seu arroz de carreteiro na festa do Armazém do Campo, Stédile lembrou que os assentados do MST produzem, com carinho, a comida gostosa, saudável e barata.

Por Redação, da Rede Brasil Atual

Em meio às panelas em que preparou a receita de arroz de carreteiro guardada há gerações por seus familiares – que foi o destaque do almoço de sábado (19), pelo primeiro aniversário do Armazém do Campo, em São Paulo – o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, defendeu o retorno de Lula à Presidência da República.

“A volta de Lula significa que nós reconstruiremos políticas públicas para a produção de alimentos saudáveis para todos.”

Conforme lembrou, o Armazém do Campo é uma pequena mostra dos alimentos saudáveis, e a preço justo, que as famílias assentadas pela reforma agrária estão produzindo para consumo próprio e para a população.

A loja do MST localizada nos Campos Elíseos, próximo ao centro de São Paulo, que comercializa produtos não perecíveis, como arroz, feijão, geleias e leite em pó, entre outros, é também uma “tribuna” permanente para o assentado dialogar com a população paulistana e mostrar que é possível produzir alimentos sem veneno, gostosos, em grande quantidade e barato.

“No fundo, nós lutamos por terra para isso, para poder produzir alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, para todo mundo. O agronegócio vive fazendo propaganda, mas não produz alimentos. Produz lucro. Para eles. E para produzir em grande quantidade, de escala, eles enchem de veneno a soja, o milho, que um dia pode dar câncer”, diz Stédile.

Conforme destaca, faz parte do espírito da reforma agrária o zelo do produtor pela saúde de todos e do meio ambiente – por isso levanta cedo para ter tempo de cuidar de tudo com carinho.

Segundo o líder do MST, o golpe que tirou Dilma Rousseff (PT) da Presidência acabou também com a reforma agrária e prejudica a agricultura familiar. Para começar, destruíram o Ministério do Desenvolvimento Agrário e todas as políticas que favoreciam a produção de alimentos.

“Aqui na cidade de São Paulo, esse idiota do prefeito, que não merece nem ser citado, acabou com a merenda. No tempo do Haddad, nós vendíamos arroz orgânico, suco, leite em pó em melhores condições e esse aí cortou. Inclusive tem empresa contratada que proíbe as crianças de repetir o prato”, disse.

“As políticas de Lula e Dilma eram forma de alcançar o máximo possível de pessoas para distribuir alimentos saudáveis para crianças, que é o principal, acabaram.”

Outra parte trágica do impeachment, segundo ele, é ampliação do domínio da bancada ruralista no governo federal. “Depois do golpe, os fazendeiros se acham imunes a todos os crimes. Um deles, o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha está sendo investigado por crime ambiental. E muitos outros mais truculentos, que são a minoria, preferem resolver os conflitos de terra à bala. É por isso que só este ano já tivemos mais de 60 companheiros, trabalhadores, assassinados por pistoleiros ou por policiais pagos por fazendeiros.

Armazém do Camponês

O MST tem iniciativas semelhantes ao Armazém do Campo em outras regiões. Uma delas é o Armazém do Camponês, localizado em São Gabriel, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Inaugurada no início de julho pela Cooperativa Agroecológica do Camponês (CooperCamponesa), funciona de segunda a sábado nas dependências do mercado público municipal.

A iniciativa é fruto de articulação entre a CooperCamponesa e a prefeitura para fortalecer a hortifruticultura e a agricultura familiar do município. E tem apoio da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

O objetivo do Armazém é gerar renda para as famílias assentadas, fornecer alimentos saudáveis para a população e valorizar a produção local. Dos hortifrutigranjeiros consumidos no município, mais de 80% vêm de fora.

Confira a reportagem da TVT:

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