“Na Saúde não há gastos, há investimentos”, afirma Alexandre Padilha

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Imagem: Daniel Pearl

03/08/2017

por Redação, com informações de Daniel Pearl

Ex-ministro da Saúde realizou aula inaugural com o tema “Desafios e perspectivas do SUS diante da atual conjuntura no Brasil” durante a abertura do Curso de Especialização em Promoção e Vigilância em Saúde realizado em parceria da FioCruz com a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares.
Leia trechos da fala do ex-ministro.

SAÚDE E DINHEIRO

Segundo Padilha, existe por parte do atual governo uma grande afinidade com as propostas do grande capital, deste modo o orçamento geral da união, que antes destinava 55% do seu orçamento às chamadas medidas básicas (saúde e educação) está sendo usado aos gastos com dívidas e credores. Paralelo à redução do orçamento imediato veio também a PEC 55 com a proposta do ” teto dos gastos”, uma medida de curto, médio e longo prazo que, compromete investimentos, ampliação e até mesmo a manutenção de gastos com a saúde.
Padilha entende que há um interesse paralelo em desestabilizar o SUS, na perspectiva de aumento de consumo do que são os planos de saúde, aumentar gastos em exames e procedimentos dentro do setor privado.

DESMONTE DO SUS

Padilha considera que dentre as políticas de estado, o SUS é a que nasceu das lutas populares, ele representa o anseio de vários seguimentos da sociedade. Portanto é de interesse que se possa demonstrar o contrário, de que organização popular não tem poder, que políticas públicas não funcionam e como disse o atual ministro, Ricardo Barros “não é possível um sistema de saúde universal, gratuito e de qualidade”. Mas é possível.

ATUAL CONJUNTURA

Padilha afirmou que o financiamento das contas públicas é um debate que deveria ser acompanhado de perto. Nesse aspecto é importante trazer a importância de expandir essa discussão para fora do setor saúde, para além dos profissionais da área de saúde, porque saúde tem a ver com reforma trabalhista, com reforma da previdência, com financiamento do SUS, tem a ver diretamente com reforma tributária, não é possível criar mais um imposto para a classe trabalhadora.
Segundo ele, é preciso entender que o SUS tem um custo alto, mas a sociedade precisa se apropriar desse debate e entender que o que se repassa a saúde não são gastos, são investimento, não é possível pensar uma sociedade evoluída sem saúde, a cada R$1 investido em saúde, esse se converte em 1,7 no PIB.

AVANÇOS AMEAÇADOS

Dentre os desafios atuais, está a defesa do que se teve em avanço. Não se pode negar o avanço no enfrentamento às desigualdades sociais. O Programa Mais Médicos (PMM) foi um divisor de águas quanto à redução das desigualdades em assistência médica, o PMM chegou a localidades onde nunca antes um médico havia chegado.
Houve avanços também nas políticas de redução das desigualdades no campo da formação. Foram abertos novos cursos, ampliação de vagas em programas de residência e interiorização do ensino superior. O acesso a medicamentos e tratamentos de maior complexidade melhorou. Padilha cita como exemplo o fato dos transplantes terem aumentado drasticamente nos últimos 15 anos, a exemplo do Ceará que é um dos estados onde mais se evoluiu em questão de transplantes.

UM SUS FORTE

O ex-ministro afirmou que é um desafio permanente reinventar o SUS, garantir um sistema universal, gratuito e de qualidade com uma extensão territorial dessa grandeza. Ao comparar o sistema de saúde brasileiro ao de outros países como Inglaterra, Cuba e Canadá, percebe-se que o Brasil mesmo com todas as dificuldades consegue garantir cobertura em imunização e possui o maior programa gratuito de transplantes do mundo. Isso, segundo ele, deve ser um mobilizador de defesa permanente.

Como desafio epidemiológico, Padilha aponta o fato do país está envelhecendo rapidamente, além de pensar as questões de estrutura, ampliação do conhecimento e qualificação de profissionais, é necessário uma mudança estrutural no modelo de fazer medicina. Historicamente, há um modelo de medicina voltado para a cura, com o aumento da longevidade e o crescente aumento das doenças crônicas, a medicina passará a ter um perfil muito mais cuidador do que curador.

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