ARTIGO| Comer é um ato político

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A nossa rotina no dia-a-dia normalmente é tão pesada que esquecemos de nos preocupar com o que estamos comendo

24/05/2017

por Aristóteles Cadorna Brasil de Fato | Petrolina (PE)

Acordar cedo. Ajeitar a casa. Ir para o Trabalho. Voltar para casa. Pagar conta. Resolver mil problemas. E depois dormir para acordar cedo e recomeçar tudo novamente. A nossa rotina no dia-a-dia normalmente é tão pesada que esquecemos de nos preocupar com o que estamos comendo.

Se o Brasil possuiu durante décadas uma imagem associada a miséria e desnutrição, hoje podemos dizer que esta situação se inverteu. Dados recentes apontam que mais da metade da população brasileira está acima do peso e que 2 em cada 10 pessoas são obesas. Esta é uma situação que gera impactos importantes na saúde em geral da população e merece muitos cuidados.

Entre outros fatores, o aumento na renda do trabalhador e da trabalhadora vivenciado em boa parte da década passada foi responsável por um maior poder aquisitivo que se converteu também em mais alimentos na mesa das famílias brasileiras.

Mas a grande verdade é que comer muito não é sinônimo de comer bem. E de uma maneira em geral, comemos muito mal. Comer bem significa comer de forma equilibrada de acordo com as necessidades do nosso organismo.

Um outro fator importante é a propaganda. Somos bombardeados o tempo inteiro com propagandas de redes de lanchonetes, de alimentos processados e bebidas açucaradas nos fazendo lembrar e nos conduzindo a refeições sempre lotadas de todos os tipos de açúcares, e outras substâncias, que não nos fazem nada bem.

Só para se ter uma ideia, a quantidade de açúcar presente em uma simples latinha de refrigerante é de 37g, enquanto a dose máxima recomendada de açúcar para um dia inteiro é de 25g.

E qual a solução?

A solução para este grave problema não é tão simples. Exige medidas individuais, mas exige também medidas coletivas.

Dentre as medidas individuais, mais do que nunca é importante conhecer o que estamos comendo. A regra é simples: quanto mais natural e menos industrializado, melhor. E sempre que possível, evitar colocar açúcar em comidas e bebidas. Preparar e cuidar dos alimentos em casa exige tempo e esforço, mas deve ser encarado como um investimento na nossa saúde e de nossa família.

No campo coletivo, o trabalho com políticas públicas é essencial. É preciso que haja estímulo para a produção de alimentos orgânicos e saudáveis. A sociedade exige isso e certamente as futuras gerações agradecerão.

*Aristóteles Cardona Júnior é Médico de Família no Sertão pernambucano, Professor da Univasf e militante da Frente Brasil Popular de Pernambuco.

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Um comentário sobre “ARTIGO| Comer é um ato político

  1. Querido Ari! Concordo com sua publicação! Como problema complexo temos também nossa parcela (professores formadores dos futuros médicos e demais profissionais de saúde) de contribuição na mudança de modelo de atenção, no qual cabe pautarmos mais temas como a relação entre a alimentação, a nutrição e a suplementação alimentar com a mídia, por exemplo, trabalharmos mais as Tecnologias de Informação e Comunicação em Saúde (TICS) de forma a aumentarmos nas futuras gerações a problematização individual e coletiva sobre a promoção de saúde, seja alimentar ou outra (a que venha das praticas corpóreas, da vigilância em saúde, etc).
    Parabéns pelo artigo. Recomendo um artigo nosso (grupo Nesp) sobre o tema publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva nos 10 anos da Política Nacional de Promoção da Saúde, com tema ‘Promoção da saúde da mulher brasileira e a alimentação saudável: vozes e discursos evidenciados pela folha de São Paulo’. Abraço, Anne Caroline Coelho Leal Árias Amorim (sua colega e docente UNIVASF, Estudos de Saúde)

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