Número de casos de febre amarela dispara no país

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17/01/2017

Especialistas discutem método de prevenção e possível retorno da doença a áreas urbanas

Por Rafael Tatemoto, especial para o Saúde Popular

O número de casos de febre amarela aumentou de forma expressiva no Brasil em relação ao ano passado. O principal local de possíveis ocorrências da doença é a zona rural da região leste de Minas Gerais. Especialistas em saúde demonstram preocupação sobre o eventual retorno da doença às grandes cidades do país.

Até a terça-feira (17), havia 152 casos suspeitos de febre amarela e 47 mortes registradas. Em termos comparativos, de julho de 2014 até dezembro de 2016 houve 16 casos registrados em todo o país, segundo dados do Ministério da Saúde.

A febre amarela pode levar à morte, apresentando uma taxa de cerca de 50% de letalidade entre aqueles que a contraem.

Após 15 dias da contaminação, surgem os primeiro sintomas da doença: febre, dor muscular, dor de cabeça, vômito e diarreia. Esse quadro dura cerca de três dias, seguidos de uma breve melhora.

A doença evolui, entretanto, para uma segunda etapa, que dura de sete a dez dias. Nessa situação, o paciente apresenta insuficiência renal, inflamação hepática, hemorragias, vômito e diarreia com presença de sangue, podendo chegar ao coma e ao óbito.

Não há tratamento específico para a doença. As pessoas contaminadas devem ser levadas a Unidades Terapia Intensiva (UTI) para o combate aos sintomas da febre amarela.

Volta

Uma das causas apontadas para seu retorno se relaciona com o ciclo da doença em ambientes de floresta. Transmitida nas áreas rurais por mosquitos dos gêneros haemagogus e sabethes, a febre amarela contamina não só humanos, mas também outros primatas.

“A febre amarela ressurge de cinco a sete anos. Ela está vinculada ao surgimento de uma nova geração de macacos sensíveis e suscetíveis à doença”, explica Renata Gatti, chefe de divisão da Gerência de Zoonoses em Santa Catarina, estado em que não há casos com forte suspeita.

Nessa hipótese, o intervalo temporal entre um surto e outro é o tempo levado para que macacos que sobreviveram à doença – tornando-se imunes – procriem gerando animais que podem ser contaminado.

Como são “os primeiros a serem atingidos”, Renata afirma que o monitoramento dessas populações animais é importante no combate à doença: “a morte ou adoecimento de macacos nos alerta para possível presença de circulação viral da febre amarela, evitando a ocorrência de casos humanos”.

Prevenção

Apesar da gravidade da doença, há um método simples e eficiente para a prevenção da doença disponível: a vacina.

“O que há de medida mais eficaz é a vacinação, não há nada que chegue perto”, aponta Aristóteles Cardona, integrante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf.

Pessoas que vivem em áreas de recomendação para vacinação ou que para elas vão se deslocar devem se vacinar. No último caso, é necessário lembrar que a vacina passa a surtir efeito de imunização após dez dias, sendo recomendável receber a dose 15 dias antes da viagem.

Nesse sentido, Cardona aponta que o aumento no número de casos suspeitos em 2017, mesmo com o ciclo de sete anos da doença, poderia não ter sido tão grave: “Era possível um modo de evitar ou, ao menos, minimizar esse quadro. Se tivesse havido uma campanha efetiva de vacinação, nas regiões com registro de ocorrência anterior, certamente não estaríamos passando por isso e chegado a esse ponto”.

Preocupação

Ainda que não se registre casos de febre amarela em áreas urbanas há mais de 70 anos, há uma preocupação quanto à possibilidade de retorno da doença a essas regiões, nas quais a transmissão ocorreria através do aedes aegypti, conhecido por ser o vetor da dengue, zika e chikungunya.

“A doença está historicamente restrita a locais de floresta. O que mais preocupa hoje é que desde a década de 40 não há registro de transmissão pelo aedes, mas sabemos cientificamente que é possível. É imprevisível. Ou a gente faz o máximo possível com a vacinação ou teremos problemas”, indica Cardona.

“Há uma preocupação com a reurbanização da febre amarela, justamente por conta do aumento do número de focos de aedes”, diz Gatti. “A preocupação é que uma pessoa contraia a doença em área de transmissão e volte para um centro urbano”.

Resposta

A reportagem procurou a Secretaria de Saúde de Minas Gerais e o Ministério da Saúde, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Edição: Juliana Gonçalves

 

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