Médicos Populares debatem ataques à saúde em 3ª Plenária Nacional

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Profissionais e especialistas reforçam necessidade de luta pela saúde pública com o avanço dos ataques aos direitos básicos em plenária realizada em Brasília

13/12/2016

por Nadine Nascimento, para o Saúde Popular

A Rede de Médicas e Médicos Populares reuniu no último final de semana em Brasília, em sua III Plenária Nacional, profissionais de várias regiões do país, que saem em defesa do direito universal ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os assuntos debatidos, estavam os rumos e formas de articulação do movimento, no contexto de avanço do conservadorismo no país.

“Na minha avaliação tivemos um saldo muito positivo. Contamos com a presença de muitas médicas, médicos e estudantes de estados onde a Rede ainda não está muito organizada. Acho que a gente dá um salto de qualidade na Rede com os debates sobre a atual conjuntura da saúde e política nacional. Em tempos de golpe, a gente precisa entender como esse processo se dá para definir como nos posicionamos diante de tantos ataques contra a classe trabalhadora, mulheres e juventude”, afirma Andreia Campigotto, médica da família da Rede de Médicas e Médicos Populares.

Segundo Campigotto, a Plenária foi uma forma de avaliar os quase dois anos de Rede, que hoje conta com pelo menos 800 médicos espalhados pelo país. “Ela surge em fevereiro de 2015, justamente, como um instrumento para aglutinar profissionais da saúde progressistas de esquerda, fazendo um contraponto ao golpe que já estava em curso”, lembra.

O encontro que reuniu cerca de 50 profissionais, foi dirigido pela enfermeira e conselheira nacional de saúde pela Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Juliana Acosta; pelo economista e doutor em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio, Carlos Ocké; além do também economista, João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Os debates giraram em torno da atual conjuntura política nacional e seus reflexos na saúde pública. A maior precarização e corte de gastos em serviços públicos, como o caso da PEC 55, foi apontado como uma das principais pautas de luta dos profissionais da saúde.

“Como forma de combater os ataques desse governo golpista nós estabelecemos o fortalecimento dos núcleos estaduais da Rede, das atividades práticas junto às comunidades e o estudo da realidade de saúde local. Além disso, fortalecer o debate ideológico em torno da medicina popular nas redes sociais e intensificar nossa relação com os movimentos sociais, em especial, aqueles que compõem a Frente Brasil Popular, nos estados e nacionalmente” explica o médico Thiago Henrique, da secretaria nacional da Rede.

Segundo Campigotto, a III Plenária Nacional da Rede de Médicas e Médicos Populares apenas reafirmou tudo o que foi aprovado na Plenária da Frente Brasil Popular, realizada nos dia 7 e 8. “Como compomos a Frente, assumimos suas bandeiras políticas como nossas. Então a bandeira contra o golpe, pelo Fora Temer, pelas Diretas Já, a de Nenhum Direito a Menos são nossas. Assim como essa luta imediata contra a PEC 55, que atinge em cheio os trabalhadores e trabalhadoras, além da reforma da previdência proposta por esse governo ilegítimo e usurpador”, diz a médica.

Edição: Juliana Gonçalves

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