ARTIGO|Gracias, Mi Comandante!

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28/11/2016

La muerte no es verdad cuando se há cumplido bien la obra de la vida – José Martí

por Andreia Cristina Campigotto, especial para o Saúde Popular

Despertamos neste sábado com a triste notícia do falecimento do grande líder da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz. Ao longo dos seus 90 anos, Fidel se transformou em herói e mito, amado e idolatrado por seu povo, odiado e vilipendiado por seus inimigos. Dedicou boa parte da sua vida à luta pela libertação não só do seu povo, mas também do povos do mundo. Sim, não é apenas o povo cubano que hoje chora de saudades. Angolanos, sul-africanos, etíopes também derramam suas lágrimas àquele que colaborou, inclusive militarmente, nas lutas de libertação nacional de seus países. Sem falar em inúmeros outros que contaram ou ainda contam com a solidariedade cubana na saúde, na educação e em outras áreas. A nós, brasileiras e brasileiros, também não faltam motivos para condolências.

Aos 29 anos de idade Fidel Castro se encontrava no México, exilado pela ditadura que aterrorizava seu país, após a tentativa frustrada de levantamento no episódio do assalto ao quartel Moncada em 26 de julho de 1953. Com mais 81 guerrilheiros, funda o Movimento 26 de julho, organização revolucionária liderada por Fidel, partindo do México em fins de 1956 no iate Granma e se instalando na Sierra Maestra, de onde, menos de três anos depois, mudaria a realidade e a vida do povo cubano, libertando o país das garras do ditador Fulgêncio Batista e da dependência do império estadunidense. Em 1º de janeiro de 1959 triunfa a Revolução e desde então vivemos a épica história de resistência da pequena ilha contra o gigante do norte.

Já em 1960, o Império decreta um dos crimes mais hediondos contra o povo cubano, um bloqueio econômico, que busca asfixiar o país e fazê-lo dobrar os joelhos. Em 1961, o país é invadido por hordas de mercenários apoiados pelas forças aéreas e a marinha norte-americana em Playa Girón e Fidel em pessoa coloca-se à frente dos combatentes cubanos que, lutando até mesmo com machetes (facões), enfrentam e derrotam os contrarrevolucionários. E em outubro de 1962 o mundo assiste atônito à Crise dos Mísseis e à iminência de uma guerra nuclear quando, após a descoberta de planos estadunidenses de invasão militar à ilha, Cuba busca apoio militar soviético. E ao longo desses 57 anos, foram 637 tentativas de assassinato ao Comandante em Jefe da Revolução, patrocinadas pelas agências secretas dos EUA.

Mesmo cercada e ameaçada permanentemente pelo vizinho, muitas foram às conquistas da Revolução. Sempre quando falamos dos avanços, mencionamos, principalmente, os relacionados à saúde e à educação. Obviamente foram êxitos emblemáticos do processo revolucionário, mas com certeza não foram os únicos. Aqui poderíamos citar aqueles relacionados ao acesso à moradia, ao saneamento básico, à reforma agrária, à cultura, entre tantos outros, materializando o programa político que Fidel Castro expôs em sua auto-defesa, quando preso após o assalto ao Quartel Moncada e que se intitula A História me Absolverá. No entanto, como médica formada pela escola que o próprio comandante idealizou, hoje eu gostaria de abordar especialmente o tema da Saúde.

A história da América Central e do Caribe foi marcada por dias doloridos no ano de 1998, quando, em setembro, a região foi atingida pelos furacões George e Mitch, que deixaram milhares de mortos, mais de 300 mil pessoas desabrigadas, devastando a produção agrícola e pecuária, causando danos nas redes de comunicações e elétricas, deixando prejuízos incalculáveis e inúmeras dificuldades e perdas. Foi nesse contexto que o Comandante Fidel Castro idealizou e concretizou o Projeto da chamada Escola Latino-americana de Medicina (Elam) na cidade de Havana em Cuba. A Elam nasceu no dia 01 de março de 1999. O principal objetivo deste projeto era formar jovens provenientes de famílias humildes, de baixos recursos e de lugares isolados do mundo. Em 17 anos de existência, a Escola já formou quase 29 mil médicas e médicos do mundo e para o mundo, totalizando 84 países beneficiados, de América, África e Ásia. Desde o seu início, a diversidade racial e cultural é simbólica e traz consigo toda a força e resistência dos povos do mundo. Nos dias de hoje a ELAM conta com cerca de 2800 estudantes de todo o mundo, sendo 157 deles jovens negros dos Estados Unidos, deixando claro o que o líder revolucionário sempre afirmou: de que o inimigo de Cuba e dos povos subjugados do mundo não é o povo estadunidense, mas o Estado norte-americano, instrumento das grandes corporações.

A solidariedade e o internacionalismo sempre foram pilares fundamentais da Revolução. Essa Revolução que deu e dá a possibilidade de jovens estudarem medicina é a mesma que possibilita que vários outros países do mundo tenham acesso a uma assistência humana e de qualidade. Há 53 anos Cuba envia médicos e médicas para vários países do mundo, com a missão e o compromisso de cuidar das populações pobres do planeta em nome desses dois princípios. Mesmo tendo perdido mais da metade de seus médicos após o triunfo revolucionário, já em 1963 o povo cubano envia sua primeira brigada internacionalista para a Argélia. Desde então, mais de 131.000 profissionais da saúde cubana colaboraram com outras nações, segundo a diretora da companhia Serviços Médicos Cubanos S.A., Yilian Jiménez, ao jornal oficial Granma em 2014. São 104 países em 04 continentes ao longo desse período, sendo que, atualmente, as missões médicas cubanas estão em 67 países.

As ideias revolucionárias de Fidel não pararam com a criação da Elam. No ano de 2005 ele cria a Brigada Médica Henry Reeve (Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias). Contando com 10.000 médicos, ela surge no contexto da catastrófica passagem do furacão Katrina em Nova Orleans, no estado de Louisiana, EUA. Na época, tive a oportunidade de conviver durante algumas semanas na Elam com cerca de 2 mil médicos que iriam para os Estados Unidos levar sua ajuda humanitária, mas o então presidente George W. Bush recusou a ajuda de Cuba. A brigada foi criada com o objetivo de apoiar e cooperar imediatamente com qualquer país que fosse vítima de qualquer catástrofe da natureza. Sendo assim, após o terremoto de novembro de 2005 no Paquistão, viajaram da ilha 2.564 médicos para apoiar e atender as vítimas, atendendo a mais de 1,8 milhão de pessoas.

Outros exemplos de colaboração da Brigada Henry Reeve, foi o terremoto de 2006 em Java, Indonésia; em 2010 após o trágico terremoto no Haiti, a brigada médica cubana foi a primeira a prestar ajuda ao país, inclusive descobrindo a epidemia de cólera que infectou cerca de 5% da população e matou 6.600 pessoas. O Haiti voltou a contar com o apoio cubano em outubro de 2016, quando foi devastado pelo furacão Mathews. Mais de 200 médicos cubanos desembarcaram no dia seguinte à catástrofe, mesmo no contexto de que a cidade de Baracoa, em Cuba, também fora destruída. Nenhuma morte em Cuba, mais de 1000 pessoas mortas no Haiti. A atuação no Haiti rendeu á Brigada Henry Reeve o “Premio a La Solidariedad de 2016” da fundação Italiana Foedus. Em 2014, a África recebeu a brigada para combater o Vírus Ebola. Também vale citar o programa conhecido como Operação Milagre, que levou oftalmologistas para 35 países, restaurando a visão de 1,8 milhão de pessoas. E desde 2013, o Brasil recebeu mais de 14 mil médicos cubanos a partir do Programa Mais Médicos, que hoje estão espalhados em todos os cantos do gigante da América, colaborando com o cuidado e a melhoria de vida de 63 milhões de brasileiros e brasileiras.

Cuba, a maior ilha das Antilhas, com recursos limitados e vítima de um atroz e injusto bloqueio econômico imposto pelo governo dos EUA há mais de 50 anos, ainda assim tem uma das menores taxas de mortalidade infantil do mundo (4,2%), comparável à do Reino Unido e menor que a dos Estados Unidos. Ainda assim, consegue reunir recursos humanos para ajudar os mais pobres, mostrando ao mundo que exportar medicina, cultura, educação, solidariedade é muito mais importante do que exportar mísseis e balas. Que países “desenvolvidos” (ricos) promovem tamanha ação humanitária de solidariedade para com os demais povos do mundo?

Nos quase 58 anos do triunfo da Revolução, Cuba vem mostrando ao planeta que um outro mundo, mais justo e solidário, não só é possível como necessário. À Fidel, o grande precursor da revolução, o homem que estava á frente de sua época, um dos mais importantes e célebres políticos do século XX, nossa eterna gratidão!

Fidel cumpriu seu legado na terra de forma extraordinária e exemplar. A grandeza, força, luta, humanismo e ternura deste homem, rompeu todas as fronteiras e mostrou ao mundo que idéias valem mais do que armas. E à despeito de seus detratores, das calúnias e deformações promovidas pelas corporações midiáticas, a História cumpriu sua promessa e não apenas o absolveu como o glorificou.

Não basta conhecer a biografia de Fidel para homenageá-lo, é preciso seguir a trilha dos seus passos, buscando a cada dia ser melhor na prática militante, nos estudos e na convivência com os seus. Seguiremos semeando esperança, atitudes e sonhos de ver nossos países livres e socialmente justos.

Fidel, agora você se une a Martí, Bolívar, Che, Camilo, Vilma Spin, Haydee Santamaria, Mandela entre tantos outros. Você foi absoluto!

Comandante, obrigada por permitir que eu, assim como tantos outros colegas, tivesse a possibilidade de sonhar e agora levar aos mais necessitados o que há de mais nobre e lindo nessa vida: o amor, a solidariedade, o humanismo, a ciência e o cuidado em saúde!

Eternamente grata a Fidel e ao povo cubano!

Comandante, ordene!

Hasta la Victoria, siempre!

Fidel Castro, presente, presente, presente!

**Andreia Cristina Campigotto é médica de Família e Comunidade e militante da Rede Nacional de Médicas e médicos Populares.

Cred. Imagem: Ismael Francisco/ Cubadebate

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